Vida e Saúde

Vacina contra herpes-zóster pode retardar envelhecimento biológico em idosos, aponta estudo

Pesquisa publicada no Journals of Gerontology revela benefícios além da prevenção da doença

Agência O Globo - 20/01/2026
Vacina contra herpes-zóster pode retardar envelhecimento biológico em idosos, aponta estudo
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Um novo estudo indica que a vacina contra a herpes-zóster pode oferecer benefícios além da proteção contra a doença, contribuindo para um envelhecimento biológico mais lento em adultos mais velhos.

A herpes-zóster é causada pelo vírus Varicella-zoster — o mesmo responsável pela varicela (catapora). Após a infecção inicial, o vírus permanece adormecido no organismo, alojando-se em gânglios dos nervos espinhais e cranianos, podendo ser reativado especialmente em situações de baixa imunidade.

Essa reativação é mais comum em pessoas com imunidade reduzida, o que pode ocorrer devido ao estresse, infecções virais, idade avançada, doenças crônicas como diabetes, ou uso de medicamentos como quimioterápicos, corticoides e imunossupressores.

Embora as vacinas sejam tradicionalmente desenvolvidas para prevenir infecções agudas, estudos recentes sugerem uma possível ligação entre a vacinação em adultos — incluindo as vacinas contra herpes-zóster e gripe — e a redução do risco de demência e outros distúrbios neurodegenerativos, segundo a professora associada de pesquisa em gerontologia Jung Ki Kim, autora principal do estudo.

O trabalho, publicado na revista científica Journals of Gerontology, avaliou sete aspectos do envelhecimento biológico:

• Imunidade inata (defesas gerais do corpo contra infecções);
• Imunidade adaptativa (respostas a patógenos específicos após exposição ou vacinação);
• Hemodinâmica cardiovascular (fluxo sanguíneo);
• Neurodegeneração;
• Envelhecimento epigenético (alterações na regulação dos genes);
• Envelhecimento transcriptômico (mudanças na transcrição genética para produção de proteínas).

Os resultados mostraram que, em média, pessoas vacinadas apresentaram níveis significativamente menores de inflamação, envelhecimento epigenético e transcriptômico mais lento, além de índices compostos de envelhecimento biológico reduzidos.

"Ao ajudar a reduzir essa inflamação de fundo — possivelmente prevenindo a reativação do vírus que causa o herpes-zóster —, a vacina pode desempenhar um papel importante no apoio a um envelhecimento mais saudável", explica Kim.

Os pesquisadores também calcularam uma pontuação composta de envelhecimento biológico, reunindo todas as medidas avaliadas.

Os benefícios observados parecem ser duradouros. Participantes que receberam a vacina há quatro anos ou mais antes da coleta de sangue continuaram apresentando, em média, envelhecimento epigenético, transcriptômico e biológico geral mais lento, em comparação com aqueles não vacinados.

"Este estudo se soma às evidências emergentes de que as vacinas podem desempenhar um papel na promoção do envelhecimento saudável, modulando sistemas biológicos além da prevenção de infecções", conclui Kim.