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Alerta vermelho em Maceió: engenheiro diz que Ponta Verde pode estar afundando; vídeo

Marcos Carnaúba, ex-presidente do IMA, ex-secretário de Estado e ex-coordenador do DNOCS, afirma que o problema pode ir além do Pinheiro e alerta para risco silencioso na área mais nobre da capital

Redação 09/01/2026
Alerta vermelho em Maceió: engenheiro diz que Ponta Verde pode estar afundando; vídeo
Para engenheiro Marcos Carnaúba, Maceió vive um dos maiores desastres geológicos do mundo em área urbana


Uma nova avaliação técnica sobre o cenário geológico de Maceió reacendeu o alerta sobre a estabilidade do solo na capital alagoana. O engenheiro civil Marcos Carnaúba, referência histórica da engenharia no estado, afirmou que os problemas de afundamento do solo podem não estar restritos aos bairros já oficialmente reconhecidos, como Pinheiro, Mutange e adjacências. Segundo ele, há indícios preliminares de subsidência também na Ponta Verde, uma das áreas mais valorizadas e verticalizadas da cidade.

As declarações foram feitas durante entrevista ao podcast Estruturando Soluções, apresentado pelo engenheiro e mestre em engenharia sísmica Paulo Miranda. Aos 83 anos, Carnaúba — ex-presidente do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas, ex-coordenador do DNOCS e fundador do grupo técnico Calculistas — decidiu tornar públicas preocupações que, segundo ele, vêm sendo subestimadas no debate técnico e institucional.



Dados internacionais e hipótese de afundamento generalizado


Durante a entrevista, o engenheiro relatou ter tido acesso a um relatório técnico preliminar elaborado por pesquisadores de Potsdam, na Alemanha, cidade que abriga um dos mais reconhecidos centros de pesquisa em geodinâmica e sismologia do mundo. Carnaúba fez questão de ressaltar que o material ainda não foi oficialmente publicado, mas afirmou que as conclusões apontam para um fenômeno mais amplo.

“Talvez o mar não esteja subindo. Talvez o continente esteja afundando”, afirmou, ao sustentar que o processo de subsidência pode estar ocorrendo de forma lenta e progressiva em diferentes áreas da cidade, inclusive na orla marítima.
Peso das edificações e extração do subsolo
A explicação apresentada pelo engenheiro associa dois fatores principais: a extração de fluidos do subsolo (como água e petróleo) e o peso extraordinário das edificações, especialmente na orla, onde há intensa verticalização.

Segundo Carnaúba, a retirada de fluidos cria vazios subterrâneos. Pela ação da gravidade, o solo e tudo o que está acima tende a ocupar esses espaços. “Edifícios muito pesados, construídos sobre um subsolo fragilizado, tendem a acompanhar esse movimento descendente”, explicou.

O engenheiro também questionou a interpretação recorrente de que o avanço do mar seja o principal fator de risco na orla. Para ele, o fenômeno pode ser inverso: o solo estaria descendo, alterando a relação entre continente e nível do mar.



Um dos maiores acidentes geológicos em área urbana

Carnaúba afirmou que pesquisadores estrangeiros classificam o caso de Maceió como um dos maiores acidentes geológicos do mundo relacionados à mineração ou extração, sobretudo por ocorrer em área densamente habitada. Diferentemente de regiões mineradas em zonas rurais ou isoladas, o fenômeno na capital alagoana afeta diretamente bairros inteiros, com impactos sociais profundos.

O engenheiro lembrou que mais de 60 mil pessoas já foram deslocadas, com perda de vínculos comunitários, impactos no sistema viário, no transporte público, em escolas, unidades de saúde e na própria configuração urbana da cidade.


Críticas a soluções paliativas e vistorias superficiais


Outro ponto levantado na entrevista foi a crítica ao que chamou de “indústria de vistorias”, na qual diagnósticos estruturais seriam realizados sem considerar a dinâmica do solo. Carnaúba citou exemplos de moradores que investiram grandes quantias em reforços estruturais — como estacas e ferragens — sem sucesso, porque o problema não estava nas edificações, mas no terreno em movimento.

Ele também questionou a segurança das fundações profundas dos prédios da orla. “Se a rocha que sustenta essas fundações estiver cedendo em profundidade, não há estaca que resolva”, alertou.



Defesa de diagnóstico científico aprofundado


Para o engenheiro, qualquer intervenção eficaz precisa partir de um diagnóstico científico robusto, que integre dados geológicos, geotécnicos, hidrológicos e urbanos. Ele comparou a situação à prática médica: não é possível tratar sem antes compreender a causa do problema.

O alerta final é direto: sem compreender plenamente a interação entre extração do subsolo e o peso da cidade, soluções pontuais tendem a ser ineficazes e custosas. Enquanto isso, segundo Carnaúba, o risco pode estar avançando de forma silenciosa — inclusive sob áreas até agora consideradas seguras, como a Ponta Verde.

Para ver a entrevista na íntegra acesse o link a seguir do PODCAST ESTRUTURANDO SOLUÇÕES apresentado por Paulo Miranda. Um encontro histórico, profundo e necessário para todos que vivem e pensam a engenharia estrutural, geotecnia, meio ambiente e os grandes desafios urbanos do Brasil.

Entrevista com o engenheiro Marcos Carnauba

Vladimir Barros

Vladimir Barros

É natural do Rio de Janeiro e radicado em Alagoas. Advogado e jornalista filiado ao SINDJORNAL, formado na Universidade Federal de Alagoas. Membro da Associação Alagoana de Imprensa e da Academia de Letras de Palmeira dos Índios, Alagoas. É Diretor de jornalismo do Grupo Tribuna do Sertão