Variedades
Saint Laurent é criticada por apresentar coleção supersexualizada em Paris
Tendo um espelho d’água montado em pleno Trocadero, com palmeiras brancas de um lado e a Torre Eiffel ao fundo, Anthony Vaccarello mostrou o verão 2019 da Saint Laurent na noite desta terça-feira, 25. E a coleção exala sexo e sensualidade, glamour e espírito rock’n’roll, numa releitura dos códigos da casa.
Assim Vaccarello aciona shorts curtíssimos (vários, em couro, jeans ou cetim), vestidos e camisas de vibe cigana, transparências e seios à mostra (aos montes também), animal prints, jaquetas luxuosas, e uma variação de bodies e maiôs com fendas, recortes geométricos e torções, elementos recorrentes no trabalho do estilista ítalo-belga.
“Ele trouxe o sexo de volta com acenos à história de YSL nos anos 60, 70 e 80 – ‘eras diferentes e ícones atemporais’, como declarou no texto divulgado à imprensa”, define a crítica do The New York Times Vanessa Friedman. “Era o tempo da revolução sexual, quando mulheres reivindicavam sua própria carnalidade e se divertiam com isso”, escreveu.
“Esse é outro tempo e um tipo diferente de revolução”, continua, citando #BelieveSurvivors e a condenação de Bill Cosby. “Sentada ao lado da passarela molhada (…) era difícil não pensar que as mulheres evoluíram”, apontou. “As roupas que as permitem expressar sua fisicalidade também deveriam. (…) Vaccarello deveria pensar um pouco mais sobre o que YSL significa agora, ao contrário de então.”
Na mesma linha de pensamento, a crítica do jornal “WWD” Bridget Foley, sugere que falta um olhar mais atento a questões de hoje. “Muitos dos looks que expunham os seios pareceram sentir-se surdos (a essas questões), especialmente neste momento de atenção elevada ao respeito a modelos”, criticou, ponderando que na moda é importante seguir suas próprias convicções.
“Vaccarello está atraindo o Santo Graal dos consumidores com seus produtos; millenials compõem a maior parte da base de clientes da marca”, afirmou.
Os números da marca, que segundo o jornal registrou um crescimento de 19,8% no segundo trimestre deste ano, confirmam que ao menos essa turma millenial, não parece se importar muito com essa exposição (aparentemente) excessiva.
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