RJ em Foco
Calor, seca e ventos fortes: Rio registra 144 focos de fogo entre 1º de julho e 6 de agosto
Crescimento dos eventos de fogo coincide com previsão de calor de até 38°C, baixa umidade e ventos fortes; 31% dos registros desde julho ocorreram em apenas uma semana
O Estado do Rio entrou, quinta-feira, em condição de **alerta** para incêndios florestais. Levantamento do Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), mostra que, entre 1º de julho e 6 de agosto, foram registrados 144 eventos de fogo ativo no Rio de Janeiro. Desse total, 47 ocorrem em áreas comuns como unidades de conservação, o equivalente a cerca de um terço dos registros.
Neste início de agosto, o Rio aparece como o décimo estado com mais focos de incêndio registrados no Brasil. A marca, somada aos 103 eventos de fogo em julho, representa um salto de 66% em relação ao mesmo mês de 2024 e de 2025. Segundo alerta emitido pelo Centro Estadual de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden-RJ) e divulgado pela Defesa Civil Estadual, a combinação de calor intenso, baixa umidade do ar, ventos fortes e tempo seco previsto para os próximos dias favorecendo o surgimento e a rapidez das chamas.
Rio terá ventos de até 110 km/h
Climatempo:
A previsão do tempo ajuda a explicar o alerta de risco muito alto para incêndios florestais. Na capital, por exemplo, a temperatura deve chegar aos 38 °C nesta sexta-feira. Em diversas regiões do estado, a umidade relativa do ar pode cair para 25% durante a tarde, enquanto rajadas de vento de até 110 km/h devem atingir praticamente todo o território fluminense.
Elizabeth Carnevskis e Cristiane Andrioli, meteorologistas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), explicam que o cenário é típico desta época do ano, e a combinação entre calor intenso, baixa umidade, ventos e tempo seco favorecendo tanto o surgimento quanto a rápida propagação do fogo em áreas de vegetação.
Precaução:
— Quando essas condições são combinadas com ventos mais intensos, comuns nesta época do ano, há um aumento significativo do risco de incêndios, uma vez que os ventos favorecem tanto a propagação quanto a manutenção do fogo, permitindo que as chamas se espalhem com maior rapidez e intensidade — disse Carnevskis.
Esse material seco com ventos fortes funciona como combustível para incêndios. Os especialistas salientam que a maioria das ocorrências tem origem na ação humana, seja por fogueiras, queima de lixo, descarte de bitucas de cigarro ou uso de fogo para limpeza de terrenos. Quando essas condições se somam aos ventos mais intensos, comuns nesta época do ano, o risco aumenta significativamente, já que as rajadas favorecem tanto a propagação quanto a manutenção das chamas.
Veja também:
O avanço das ocorrências se intensificou na semana passada, marcado pelo vendaval que provocou estragos em diversas cidades do estado. Entre 27 de julho e 2 de agosto, foram registrados 45 eventos, o equivalente a aproximadamente 31% de todos os registros contabilizados desde o início de julho.
Os focos continuaram se multiplicando nos dias seguintes. De acordo com os registros do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apenas nos últimos quatro dias, foram identificados outros 27 eventos de fogo no estado, quase metade deles em Campos dos Goytacazes, seguidos por Cabo Frio e Araruama.
Na Região Serrana, a situação também segue preocupante. Em Nova Friburgo, incêndios ocorreram desde a semana passada no Pico da Caledônia, uma das paisagens mais emblemáticas da região. A visitação ao local está suspensa desde 31 de julho. De acordo com o boletim mais recente divulgado pelo Parque Estadual dos Três Picos, a reabertura será anunciada assim que houver condições seguras.
"A medida tem como objetivo garantir a segurança dos visitantes e permitir o trabalho das equipes de combate ao fogo. A orientação é que a população respeite a interdição e evite se deslocar até o local enquanto a situação não estiver normalizada", informa o alerta.
Norte Fluminense concentra focos
Os registros do Programa Queimadas do Inpe também mostram a concentração das ocorrências em municípios do Norte Fluminense. Entre julho deste ano e do ano passado, o estado registrou 498 focos de calor. Campos dos Goytacazes lidera o ranking estadual, com 106 focos, o equivalente a 21,3% do total. Em seguida aparecem São Francisco de Itabapoana (32), São João da Barra (25), Cabo Frio (21) e Paraíba do Sul (20).
Campos também aparece entre os que mais registraram incêndios florestais em todo o país no período. No ranking nacional elaborado pelo INPE, o município ocupa a 19ª posição, com 43 focos entre julho e o início de agosto.
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