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Monalliza Escafura, filha de Piruinha, tem novo mandado de prisão por lavagem de dinheiro

Agentes da Polícia Civil cumpriram a medida dentro da cadeia, onde ela já se encontra presa desde maio do ano passado.

Agência O Globo - 06/08/2026
Monalliza Escafura, filha de Piruinha, tem novo mandado de prisão por lavagem de dinheiro
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Monalliza Neves Escafura

Mais contravenção:

Filha do bicheiro Piruinha, Monalliza já está presa desde maio deste ano, em decorrência de outro processo. Como ela se encontra custodiada na Penitenciária Talavera Bruce, em Bangu, permanecerá cumprindo a medida dentro da unidade prisional. O juiz determinou que a Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen) promovesse a citação de Monalliza dentro da cadeia. Ela é acusada de lavar recursos da contravenção com a compra de bens de luxo, incluindo um veículo importado e um imóvel em Mangaratiba.

O que diz a denúncia do Gaeco

Segundo o Gaeco, ao todo, são 13 denunciados, entre eles a própria Monalliza, apontada pelo Ministério Público como líder do grupo, posição que teria assumido ainda em vida do pai e consolidado após a morte dele, em janeiro de 2025.

O MPRJ informou na denúncia que a investigação começou a partir da divulgação da série documental "Vale o Escrito", da Globoplay, na qual bicheiros — entre eles, o próprio Piruinha — deram entrevistas detalhando a exploração do jogo do bicho no Rio. A partir daí, o Gaeco requisitou ao Coaf relatórios de inteligência financeira e obteve quebras de sigilo bancário e fiscal dos investigados.

De acordo ainda com o Gaeco, Monalliza usava a empresa Liza Produções — formalmente dedicada à produção de eventos, com faturamento médio declarado de cerca de R$ 4.760 por mês — para ocultar recursos do jogo do bicho e das máquinas caça-níqueis exploradas pela organização criminosa em bairros como Madureira, Cascadura, Piedade, Inhaúma, Pilares e Engenho de Dentro, território historicamente dominado por Piruinha. Somente entre janeiro de 2021 e abril de 2022, a conta da empresa recebeu R$ 424.841,76 em créditos, valor incompatível com o faturamento declarado.

O Ministério Público também aponta que Monalliza se valia de oito outras pessoas, apontadas como "laranjas", para receber e movimentar valores em contas de terceiros, e que mensagens extraídas de seu celular mostram negociações diretas sobre a abertura de novos pontos de exploração de caça-níqueis e cobrança de taxas mensais de responsáveis por pontos de jogo.

Entre os episódios de ocultação patrimonial citados na denúncia estão a compra, em 2021, de um automóvel Toyota/Lexus Sport avaliado em R$ 230 mil, registrado em nome de uma oficina mecânica, e um apartamento no Condomínio Sahy, em Mangaratiba, avaliado em cerca de R$ 750 mil, registrado em nome de terceiro. A denúncia também menciona um esquema de lavagem envolvendo a empresa Castelo Colorido, ligada à exploração de caça-níqueis apreendidos em operação policial no Clube Oposição, na Abolição.

O Ministério Público decidiu não oferecer Acordo de Não Persecução Penal (ANPP), medida alternativa prevista no Código de Processo Penal para crimes cometidos sem violência ou grave ameaça, cuja pena mínima é inferior a quatro anos. O argumento da promotoria é que as penas ultrapassam esse limite previsto para o benefício. Em relação a Piruinha, o Gaeco pediu a extinção da punibilidade, já que ele morreu em janeiro de 2025.

Na decisão, Abrahão derrubou o segredo de justiça que recaía sobre o processo. Segundo o magistrado, o sigilo havia sido decretado para preservar o efeito surpresa da prisão de Monalliza, mas essa premissa "restou esvaziada" a partir do momento em que ela passou a estar presa por outro feito, o que afasta qualquer risco de fuga. Ficam sob sigilo apenas as mídias físicas apreendidas e os anexos com Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) e dados protegidos por sigilo bancário e fiscal de terceiros.

Monalliza rompe a tradição da organização criminosa do jogo do bicho por ser, atualmente, a única mulher à frente da contravenção como herdeira de Piruinha.