RJ em Foco
Piscina é atingida por bomba lançada por drone no Complexo da Penha, relatam moradores
Segundo postagens em redes sociais, casa fica no Morro da Caixa D'Água; telhado de outra residência também foi danificado
Em meio a um intenso tiroteio, com uso de munição traçante, moradores do Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio, região controlada pelo Comando Vermelho (CV), contando que uma piscina, no Morro da Caixa D'Água, foi arrebentada por uma explosão. Num vídeo compartilhado em redes sociais, é possível ver um grande buraco no fundo do tanque.
Luto:
Veja o que muda:
No Morro do Sereno, o telhado de uma casa foi perfurado por um artesão. A moradora encontrou, no quintal, restos de um drone. Quem vive na região atribuiu o lançamento dos explosivos à quadrilha do traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, um dos principais chefes do Terceiro Comando Puro (TCP). As aeronaves estariam sendo enviadas pela Cidade Alta, comunidade controlada por ele.
Em retaliação ao ataque, os traficantes do Complexo da Penha abriram fogo em direção à Cidade Alta, dando início a um intenso tiroteio.
Localizada em casa de luxo:
A Polícia Militar informou que equipes da Unidade de Polícia de Proximidade (UPP) do Complexo da Penha, após monitoramento da região, identificaram que drones lançaram artefatos explosivos nas proximidades do Morro do Sereno. Segundo a corporação, os tiros disparados na comunidade foram em direção à Cidade Alta. O policiamento foi intensificado na região, afirmou a PM.
Um levantamento feito pela GLOBO mostra que, desde março deste ano, ocorreram pelo menos sete casos de explosões de artefatos lançados por drones, seja em treinamentos de criminosos, seja em ataques. A maioria ocorreu nos últimos três meses, período em que as disputas territoriais se intensificaram. O episódio mais recente aconteceu no último sábado, quando duas pessoas que montavam brinquedos em uma festa infantil de rua ficaram feridas após uma bomba ser lançada por um equipamento desse tipo na Favela dos Dourados, em Cordovil, na Zona Norte.
Guerra não:
A comunidade, que tem a maior parte de seu território controlado pelo CV, vem sendo alvo de ataques cometidos por traficantes do TCP ligados a Peixão. O criminoso, um dos chefes da facção, domina favelas vizinhas — Parada de Lucas, Cidade Alta, Vigário Geral, Pica-Pau e Cinco Bocas —, região apelidada por ele do Complexo de Israel.
Vento adia 'Aulão'
Antes do ataque à Favela dos Dourados, na madrugada do dia 31, uma granada explodiu e atingiu um imóvel no Complexo da Penha durante um suposto treinamento para o uso de drones em guerras ou no monitoramento de rivais e da polícia. O conjunto de favelas tem o tráfico de drogas comandado por Edgar Alves de Andrade, o Doca ou Urso. Segundo a polícia, ele é suspeito de integrar a cúpula do CV e de ordenar ataques a territórios controlados por outras facções.
Jaé gratuidade:
A polícia investiga a informação de que um “aulão” para ensinar como usar esses equipamentos chegou a ser marcado no Complexo da Penha. O evento foi anunciado em uma postagem feita nas redes sociais por uma pessoa ligada a um traficante da região. Imagens recebidas pela Polícia Civil mostram homens armados com fuzis caminhando em direção ao suposto local de treinamento. À frente deles, uma mulher, que carregava uma criança, abriu caminho para a passagem dos suspeitos. Em outra imagem, oito fuzis podem ser vistos encostados em uma parede. A aula para operar os drones, marcada para 17 de julho, no entanto, acabou não ocorrendo. O cancelamento teria ocorrido devido a condições adversas desfavoráveis: ventos fortes.
Um policial que investiga o tráfico no Complexo da Penha revelou que os bandidos, além de utilizarem drones para lançar granadas, também não possuem veículos tripulados capazes de localizar outras aeronaves do mesmo tipo.
Na Zona Sul do Rio:
— Eles usam os drones para fazer monitoramento. O equipamento funciona como se fosse um radar. Ele é capaz de informar se há outro drone na área e de onde a aeronave está sendo operada — explicou o investigador.
Feridos:
Os feridos na explosão ocorrida na Favela dos Dourados não são as únicas vítimas do perigo que vem do céu. No dia 29 de maio, um adolescente de 15 anos sofreu uma fratura exposta em uma das pernas. Ele estava no Morro da Caixa D'Água, na Penha, quando um drone teria lançado uma granada no local. Quase dois meses antes, no dia 30 de março, outro explosivo atingiu um imóvel na Vila do Sapê, em Curicica, na Zona Sudoeste. O caso aconteceu durante um ataque de traficantes do CV a uma área com territórios dominados pela milícia.
Levantamento do GLOBO:
Os outros casos ocorreram em junho e julho. Os que mais chamaram a atenção foram o de um prédio atingido por um artista no Parque Dois Irmãos, em Curicica, e o de uma granada encontrada sobre uma creche na Favela do Dique, no Jardim América, na Zona Norte. Neste último episódio, o explosivo foi encontrado intacto e precisou ser detonado por policiais do Esquadrão Antibombas.
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