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Ônibus do Rio viram 'sopa de letrinhas' com LECD, SV, SR e outras siglas; entenda cada uma
Um terço das 433 linhas cadastradas na cidade possui identificação alfanumérica
Para quem precisa, nunca teve muito mistério. Três dígitos identificam cada linha de ônibus do Rio — quatro, se for um modelo frescão, de tarifa mais alta. Mas, de uns tempos para cá, siglas desconhecidas da maioria dos passageiros foram residentes aos números. Responsável pela mistura de novos ingredientes, a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) aposta na atualização do cardápio para reorganizar o sistema. Ao usuário, porém, resta aguardar por um glossário para evitar que uma viagem desande. Hoje, um terço das 433 linhas cadastradas na cidade traz letrinhas unidas a números.
Alerta tardio:
O componente mais recente dessa combinação é a tal LECD: Linha Experimental de Coleta de Dados. Foi a forma que a prefeitura encontrou para identificar, no seu sistema e em validadores do Jaé, linhas recém-criadas. Essas trajetórias passam por um período de testes — de 180 dias, renováveis por igual período — no qual estão sendo colhidas informações sobre a demanda. Uma vez aprovada, a nova linha será batizada com os convencionais três dígitos.
Siglas temporárias
No dia a dia, no meio da rua, leva um tempo para o passageiro entender. No fim do ano passado, foi criada a LECD 129 (Central—Alvorada, via Túnel Santa Bárbara), para suprir a 309, que também ligava os dois terminais. A linha mais antiga foi apagada do mapa em janeiro deste ano, quando a empresa que operava, a Real Auto Ônibus, acabou lacrada pela prefeitura.
— Eu mesmo já tirei fila de 40 passageiros, que estavam esperando o 309, para cá — diz o despachante da então LECD 129. — De início, o pessoal ficou confuso, mas agora já entendi.
Ventania no Rio:
Porém, nem LECD 129 nem 309 circulam mais: a linha agora é a 319, que ganhou serviço variante — a SV 319 faz parte do trajeto pela Praia do Flamengo.
Na região de Vila Isabel, também houve uma multiplicação de serviços experimentais, criados para substituir linhas que saíam de circulação. As LECDs 150 (Grajaú—Siqueira Campos), 154 (Grajaú—Leblon) e 155 (Grajaú—Gamboa) nasceram para surpreender a 433, a 439 e a 222, respectivamente.
'Gritavam por socorro':
Essa abreviação também é usada quando uma linha já existente tem o trajeto esticado ou encurtado. Foi assim que, em junho, o 435, que antes ia até a Gávea, foi transformado em LECD 151 (Grajaú—Antero de Quental). Segundo a SMTR, essa medida busca avaliar se isso tornará a linha mais ágil e com intervalos menores, ao livrá-la do engarrafamento que enfrentaria entre o Leblon e a Gávea, trecho que, na avaliação da pasta, tem cobertura de outros serviços.
— No primeiro dia foi muito ruim essa sopa de letras, pois os passageiros estavam esperando o 435, que nunca estavam ouvindo — lembra a atendente da farmácia Sandra Gomes, que ainda tem queixas dos trânsitos. — Depois das 22h, só vai passar outro lá para 22h40.
Entenda:
Outra sigla temporária, a SE (serviço excepcional), indica quando a linha tem o trajeto alterado pontualmente. Foram exemplos recentes as mudanças do réveillon e do show de Shakira, em que as linhas do Centro foram esticadas até Copacabana, para atender o público dos eventos. Nessa encarnação momentânea, o 232 (Lins—Castelo) circulou como SE 232 (Lins—Copacabana).
SV, SP e SR: o que são
Os bons e velhos “expressos” hoje são SR (serviço rápido). Na Avenida Brasil, essa modalidade é a que segue pela pista seletiva, enquanto as linhas comuns avançam pela pista lateral. Há ainda o SP (serviço parcial), quando a trajetória original não é feita em sua totalidade. Enquanto a 918 (Bangu—Bonsucesso) tem a SP 918 (Bangu—Deodoro), a 265 (Marechal Hermes—Castelo) tem a SP 265 (Marechal Hermes—Gentileza).
Crime organizado:
Também são definições como SP aquelas linhas que, durante a ida para o trabalho, saem de pontos com muita demanda. A 343 (Jardim Oceânico—Candelária), por exemplo, conta com uma SP saindo de Rio das Pedras pela manhã.
Já nas altas horas, a vez é do SN. Os serviços noturnos precisam ser identificados porque algumas rotas são alteradas. No Centro, as linhas SN são esticadas até a Lapa, enquanto na Ilha do Governador chegam até o Galeão.
Caso Henry Borel:
Não se perca: ainda existe o SV (serviço variante). A sigla indica que aquele ônibus tem uma pequena mudança no trajeto original. Um exemplo é o 606 (Engenho de Dentro – Gentileza), que percorre toda a Rua Dias da Cruz, no Méier. Seu SV deixa essa via em trecho específico para atender os moradores do Lins.
A prefeitura ainda pode determinar a adoção da sigla, como aconteceu com a 483 (General Osório—Penha). Neste ano, sua variante — via Parque União — passou a circular como SV 483. No entendimento da SMTR, sem a indicação no letreiro, os passageiros poderiam errar de coletivo.
'Só pensei em Deus e na minha família':
Quando a linha tem mais de uma variante, o abecedário entra em cena novamente. Podem ser adotadas as letras “A”, “B” e “C”, como é o caso da 665 (Saens Peña—Pavuna): a SVA vai pelo Parque Colúmbia, enquanto a SVB, por Costa Barros.
Mas até mesmo os serviços hoje com letras podem ser transformados em uma linha definitiva, mesmo que não estejam operando de forma experimental. Isso aconteceu no ano passado, por exemplo, com a SV 779. O percurso se diferenciava da 779 “raiz” (Madureira—Pavuna) ao percorrer a Rua Marina, em Bento Ribeiro. Daí que o SV foi rebatizado de 780, sem a sigla. Isso pode ocorrer se o trajeto se diferenciar muito da linha principal, ou se a oferta de ônibus for muito grande e acabar confundindo o usuário.
Recém-nascido morto:
No início dos anos de 2010, linhas que tinham versões via Autoestrada Grajaú-Jacarepaguá e via Linha Amarela receberam numerações diferentes. À época, ficou definido que os ônibus entre o Centro e a atual Zona Sudoeste tinham números iniciados em “3”: um dos casos foi o da 268 (hoje Candelária—Riocentro), que deu origem às linhas 348 (que faz o trajeto pela Linha Amarela) e 368 (via rodovia).
Troncal ou Integrada
Nessa mesma época, foram criadas ainda as linhas Troncal (TRO) e Integrada (INT), ligando a Zona Sul ao Centro e à Zona Sudoeste, respectivamente. A nomenclatura, no entanto, vem caindo em desuso.
Há cerca de três anos, foi determinado que esses serviços apresentavam duas numerações: TRO ou INT, junto ao número de três dígitos cadastrados no SMTR. Na ocasião, a pasta descobriu que aplicativos usados por passageiros para verificar se o ônibus estava chegando os números, em vez de TRO ou INT.
Passado do Centro no presente:
Assim, o TRO 7 (Central—Cosme Velho) passou a exibir 117 no visor, enquanto o INT 8 (Recreio—Rio Sul), 553. Já o TRO 9 passou um tempo sem rodar e, ao retornar, voltou apenas como 109 (São Conrado—Gentileza).
Já o TRO 1 (Central – General Osório) passou dos 100, mas muitos coletivos ainda têm a numeração do passado.
— É a antiga 125. Trocou para 100, e o pessoal sabe que vem para o Centro, tanto que esses ônibus só andam cheios — comenta o motorista Alan Fernandes, que dirigia um ônibus com as numerações 100 e 125.
A empresa, agora, será oficializada alternadamente apenas entre TRO1 e 100, sem menção ao número antigo. A SMTR explica ainda que as siglas TRO e INT devem ser usadas por mais alguns anos. Depois, aos poucos, serão substituídos definitivamente pelo número de três dígitos — ou alguma nova receita ainda a ser inventada.
Diagnóstico após ventania:
LECD, SP, SR, SV, TRO, INT: glossário mostra significado das siglas
LECD: Linha Experimental de Coleta de Dados. Linha nova ou que teve a trajetória alterada.
SE: Serviço Excepcional. Ônibus desviados para Copacabana no réveillon são um exemplo.
SN: Serviço Noturno. Roda no fim da noite e da madrugada. No Centro, vai à Lapa; na Ilha, ao Galeão.
SP: Serviço Parcial. Quando o ônibus só percorre parte do trajeto da linha original.
SR: Serviço Rápido. É o conhecido “Expresso”.
SV: Serviço Variante. Quando se diferencia do trajeto original em um trecho da viagem.
TRO e INT: Troncal e Integrada. Assim foram nomeadas linhas que partiam da Zona Sul para o Centro e para a Zona Sudoeste, respectivamente.
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