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Vendaval no Rio deixa dois mortos e 1,1 milhão sem luz

Impacto nos transportes e quase 800 ocorrências registradas

Agência O Globo - 30/07/2026
Vendaval no Rio deixa dois mortos e 1,1 milhão sem luz
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A tarde de quarta-feira ficará marcada como uma das mais caóticas provocadas por um vendaval no Estado do Rio nos últimos anos. Com rajadas de vento que ultrapassaram os 100 km/h, a passagem de uma frente fria resultou em duas mortes, um pescador desaparecido, um apagão que, em seu auge, afetou cerca de 1,1 milhão de clientes da Light e interrompeu a circulação de diversos modais de transporte durante horas. Na manhã desta quinta-feira, 426 mil imóveis ainda estavam sem energia elétrica — sendo 296 mil clientes da Light e outros 130 mil da Enel — enquanto equipes continuavam nas ruas para retirar árvores, reconstruir trechos da rede elétrica e liberar vias.

Assista:

Falta de luz no Rio:

Dois mortos e um desaparecido

O caso mais grave ocorreu em Santa Teresa, onde um muro desabou na Rua Doutor Júlio Otoni durante o temporal. Morreram o ex-jogador do Botafogo Tássio Maia dos Santos, de 41 anos, e Vandré Cordeiro da Silva. A ocorrência foi registrada na 9ª DP (Catete).

Na Costa Verde, um pescador segue desaparecido após o naufrágio de uma embarcação em Tarituba, em Paraty. Na manhã desta quinta-feira, o Corpo de Bombeiros localizou um corpo na Praia de Tarituba, mas, até o fechamento desta edição, a corporação não havia confirmado se a vítima era o homem procurado. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML).

Além dessas ocorrências, a Polícia Civil investiga se a morte de três pessoas eletrocutadas na madrugada desta quinta-feira, na Cidade de Deus, está relacionada aos danos provocados pelo vendaval. Segundo relatos de testemunhas, um pico de energia teria causado um incêndio em uma tomada da residência. Ao tentar socorrer uma mulher que recebeu uma descarga elétrica, três homens da mesma família também foram atingidos e morreram, informou o G1. A vítima foi socorrida e está em estado gravíssimo.

A Light informou que apura as circunstâncias do caso e reforçou a orientação para que a população não se aproxime de cabos ou estruturas elétricas danificadas após temporais.

'Gritavam por socorro':

Impacto nos transportes

O vendaval interrompeu a circulação dos principais modais de transporte da Região Metropolitana durante o horário de pico de quarta-feira. No metrô, uma falha no fornecimento externo de energia paralisou completamente as linhas 1, 2 e 4 às 16h37. As linhas 1 e 4 voltaram a operar às 17h38, enquanto a Linha 2 só foi totalmente normalizada às 18h54, após a evacuação de trens, inspeções nos trilhos e limpeza da via.

Na rede ferroviária, a circulação foi suspensa em todos os ramais por volta das 16h30, para que equipes realizassem vistorias após a queda de árvores e de um poste sobre a rede aérea. Os ramais Santa Cruz, Belford Roxo e Saracuruna tiveram a retomada gradual a partir das 19h, mas o Japeri — o mais afetado pelos danos em Anchieta, Mesquita e Nova Iguaçu — exigiu viagens extras às 0h44 para atender passageiros que ainda tentavam voltar para casa.

Os reflexos foram sentidos também nesta quinta-feira. O ramal Japeri teve a circulação normalizada por volta das 9h30, enquanto o Saracuruna seguia operando com restrições: entre Gramacho e Central do Brasil, os intervalos eram de cerca de 20 minutos e, no trecho entre Saracuruna e Gramacho, era necessário trocar de composição na estação Campos Elíseos.

Mesmo com a retomada da operação, o temporal reduziu o fluxo de passageiros. O MetrôRio registrou 576 mil embarques na quarta-feira, ante 653 mil na semana anterior, enquanto a TrensRJ informou queda de 22% na demanda em relação à quarta-feira passada. Na manhã desta quinta, BRT, ônibus, metrô e barcas já operavam normalmente.

Quase 800 ocorrências

Até a tarde desta quinta-feira, o Corpo de Bombeiros havia sido acionado para 797 ocorrências relacionadas aos ventos fortes. Do total, 486 chamados foram para corte de árvores, 144 para incêndios em via pública, 69 para salvamentos de pessoas, sete para desabamentos e sete para acidentes náuticos. Na capital, o Centro de Operações contabilizou 269 quedas de árvores, com registros espalhados por bairros das Zonas Norte, Sul e Oeste da cidade.

A falta de energia também mobilizou equipes de resgate. Ao todo, a corporação realizou 34 atendimentos para retirar pessoas presas em elevadores após o apagão provocado pelo temporal.

O Corpo de Bombeiros informou que permanece em alerta, com equipes mobilizadas, viaturas, ambulâncias e embarcações em diferentes regiões do estado.