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Vendaval e caos no Rio: rajadas de até 105 km/h causam duas mortes e deixam um rastro de destruição na cidade
Pouco depois da ventania, a cidade ainda enfrentava reflexos no transporte e no trânsito
Em tempos de mudanças climáticas, um vendaval atingiu grande parte do Estado do Rio no fim da tarde de ontem, deixando um rastro de destruição. Na capital, onde as rajadas chegaram a 105 km/h, duas pessoas morreram no desabamento de um muro em Santa Teresa, na região central. Houve falta de energia em diferentes bairros, o que levou à paralisação de todos os ramais de trens, das três linhas do metrô e do VLT. Sem os principais transportes e com ruas interditadas por pelo menos 40 árvores caídas, a volta para casa foi um caos. Os aeroportos Santos Dumont e do Galeão tiveram que desviar ou cancelar 21 voos. Em Angra dos Reis, na Costa Verde, um pescador desapareceu no mar.
Queda do muro e
A queda do muro ocorreu na Rua Júlio Otoni, onde morreram Tássio Maia dos Santos, ex-jogador do Botafogo, e seu amigo Vandré Cordeiro. Instantes antes do acidente, as crianças brincavam na calçada e escaparam por pouco da tragédia. Em Mesquita, na Baixada Fluminense, uma pessoa ainda não identificada ficou gravemente ferida ao ser atingida na rua por parte da cobertura que despencou de um imóvel.
Pouco depois da ventania, a cidade ainda enfrentou reflexos no transporte e no trânsito. Por volta das 18h, a travessia de Copacabana, no sentido Ipanema para o Leme, chegava a uma hora. Pontos de ônibus permanecem lotados, e alguns coletivos sequer abriram as portas para novos passageiros, devido à superlotação. O drama se repete em outros bairros servidos pelo metrô. Quem tentou usar o transporte por aplicativo viu que os preços quase quadruplicaram.
— Virou um caos. Todo mundo está com medo do vento. Até o transporte virou um problema, pois o metrô parou — disse Gláucia Nascimento Archer, de 61 anos, que tentou retornar ao trabalho em Botafogo para sua casa na Tijuca.
Medo em pontos turísticos
Turistas que aproveitam o dia de céu azul no Cristo Redentor se assustaram com a virada do tempo. Muitos procuraram se abaixar para se proteger das rajadas até que pudessem descer em segurança. O Pão de Açúcar suspendeu a operação dos bondinhos durante o vendaval, e os visitantes foram orientados a permanecer no local até que o vento forte cessasse. Nas praias, os banhistas saíram da areia em poucos minutos: no Arpoador, mesas e cadeiras de plástico e guarda-sóis foram arrastados.
As redes sociais foram inundadas por imagens das consequências da ventania. Uma delas mostra três operários em um andaime, em momentos de pânico. Eles estavam fazendo a manutenção de um prédio no condomínio Barra Bali, no Recreio dos Bandeirantes, quando foram informados: a plataforma começou a balançar e as ferramentas despencaram, mas nenhum deles ficou ferido.
Também no Recreio, a estação do BRT Dom Bosco foi parcialmente interditada depois que as telhas do terminal voaram. Um outro vídeo mostra uma gôndola do teleférico do Morro da Providência, no Centro, parada e balançando, mas foi só o susto — não houve registro de acidente. Em Laranjeiras, parte do telhado da sede social do Fluminense foi arrancada com força do vento, e o clube precisou ser esvaziado. Ainda na Zona Sul, no Catete, um vendedor ambulante teve o braço atingido na queda de uma árvore na Rua Machado de Assis.
A vendaval começou por volta das 16h50. A Defesa Civil envia mensagens de alerta para celulares cadastrados às 16h43. O Centro Estadual de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden) já emitiu um boletim às 15h30, válido até as 7h30 de hoje, sobre os riscos de mudança de tempo para quase todo o Estado do Rio.
Falta de luz persistente
Além dos danos causados pelo vento, parte da cidade ficou às escuras. A queda de energia afetou até o Centro de Operações e Resiliência (COR), da prefeitura. Quando a energia voltou, várias câmeras de monitoramento da cidade ficaram fora do ar por alguns minutos. Um dos maiores impactos foi nos sinais de trânsito. Com eles desligados, o trânsito nas ruas ficou caótico.
A energia começou a ser retomada aos poucos. Por volta das 19h30, a circulação de trens e do metrô começou a ser normalizada. Contudo, durante o período, houve casos de composições que pararam entre estações, e passageiros tiveram que seguir a pé pelos trilhos. Na Linha 2 do metrô, passageiros entraram em desespero quando houve uma paralisação. Um deles usou um extintor de incêndio para quebrar o vidro da porta e tentar escapar.
Ao fim da noite, casos pontuais ainda persistiam. Moradores de Niterói eram sem energia, assim como a Avenida Borges de Medeiros, na Lagoa, que permanece às escuras.
Em Botafogo, foi uma árvore que caiu sobre a rede elétrica na Rua General Polidoro, em frente a um hospital, que feriu um nó no trânsito em plena hora do rush, levando à interdição da via. Na Tijuca, na Praça Saens Peña, outra árvore interdita parcialmente à Rua Conde de Bonfim, mas foi retirada rapidamente por uma equipe da Comlurb. No mesmo bairro, houve outra queda na Rua Haddock Lobo.
O Corpo de Bombeiros foi acionado até as 20h para 185 ocorrências relacionadas aos ventos no estado, sendo 93 de cortes de árvores, 31 salvamentos de pessoas e cinco desabamentos. A partir da manhã de hoje e pelo menos até o domingo, não deve voltar a ventar forte, de acordo com o Alerta Rio.
(Participaram da cobertura Amanda Rosa, Bruna Martins, Luiz Ernesto Magalhães, Henrique Barbi, João Pedro Fragoso, Camila Araujo, Leila Youssef, Rafael Galdo, Thayná Rodrigues, João Vitor Costa e Roberta de Souza).
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