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Economia sequestrada pelo crime chega a Búzios, paraíso turístico do Rio

Grupo criminoso impõe preço do galão de água e determina os estabelecimentos autorizados a vender botijões de gás.

Agência O Globo - 28/07/2026
Economia sequestrada pelo crime chega a Búzios, paraíso turístico do Rio
Economia sequestrada pelo crime chega a Búzios, paraíso turístico do Rio - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A atuação do crime chegou a Armação dos Búzios, um dos principais destinos turísticos da Região dos Lagos. O balneário tornou-se alvo de uma quadrilha que impôs o aumento no preço do galão de água e determinou os estabelecimentos autorizados a vender botijões de gás aos moradores. A ação dos criminosos foi detalhada em uma denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio, após a prisão de quatro suspeitos.

Segundo o documento, os criminosos exigiram um aumento de R$ 2 no preço do galão de água, com a condição de que o valor adicional fosse repassado ao grupo. Os comerciantes que se negassem a cumprir a ordem eram advertidos de que seriam impedidos de continuar suas atividades.

Crueldade:

Em Cordovil:

A investigação sobre o esquema de extorsão foi conduzida pela 127ª DP (Armação dos Búzios), que prendeu três suspeitos em abril deste ano. Com o grupo, os policiais apreenderam sete celulares, R$ 10 mil em espécie e diversas anotações com chaves Pix e dados de comerciantes da região. Com o avanço das investigações, os agentes identificaram e prenderam um quarto suspeito, apontado como integrante da organização. Segundo a polícia, a quadrilha mantinha uma estrutura voltada à cobrança de taxas de comerciantes e ao controle da venda de botijões de gás, obrigando os revendedores a adquirir o produto de um único fornecedor.

Um comerciante relatou à polícia que teve sete botijões de gás roubados pelo grupo após descumprir a ordem de comprar do fornecedor indicado pelos criminosos. O revendedor contou que foi até Cabo Frio adquirir os botijões, devido ao aumento dos preços em Búzios, onde cada unidade pode custar até R$ 150.

Ao retornar à cidade com a carga, foi abordado pelos suspeitos, que tomaram os produtos com a justificativa de que ele não poderia revendê-los por serem provenientes de outro município. Segundo o comerciante, após o episódio, ele passou a receber mensagens com ameaças e ordens determinando de quais fornecedores poderia comprar os botijões.

Outros dois revendedores autônomos procuraram a polícia, afirmando ter sofrido o mesmo tipo de intimidação. Em um dos casos, os criminosos mencionaram a retenção dos sete botijões do comerciante como forma de reforçar as ameaças.

Água taxada:

Outras vítimas do grupo relataram à polícia como funcionava o esquema de extorsão na venda de água. Segundo os comerciantes, os criminosos iam até os estabelecimentos e determinavam que o preço do galão fosse reajustado em R$ 2 por unidade, valor que deveria ser repassado à quadrilha. De acordo com os depoimentos, quem se recusasse a cumprir a ordem era ameaçado e avisado de que seria impedido de continuar a comercializar o produto na região.

Na decisão que decretou a prisão dos suspeitos, o juiz afirmou que os episódios revelam a existência de uma estrutura organizada para dominar, mediante intimidação violenta, um setor essencial da economia local. O magistrado também destacou que “os crimes foram praticados contra trabalhadores locais, pessoas vulneráveis que dependem da revenda de gás para garantir sua subsistência diária”.

Recentemente, uma reportagem do GLOBO mostrou que a nova frente de atuação do crime transforma mercadorias básicas em mais uma fonte de financiamento das facções. Isso afasta empresas formais, sufoca a concorrência e distorce o mercado. Especialistas afirmam que, a longo prazo, o avanço pode comprometer o desenvolvimento econômico do estado.