RJ em Foco
Instituto Rio Metrópole sofre exonerações e tem novos diretores nomeados duas semanas após operação do MP
Estado também determina suspensão de contratos por 30 dias
Duas semanas após uma operação do Ministério Público prender o presidente do Instituto Rio Metrópole (IRM), Davi Perini Vermelho, e outras cinco pessoas, o governo do Rio publicou nesta quarta-feira uma série de medidas para reestruturar a autarquia. Trinta ocupantes de cargos comissionados na instituição, por exemplo, foram exonerados.
O Estado corta secretaria e mais servidores;
Atuava irregularmente:
O Diário Oficial trouxe ainda a nomeação para a diretoria do IRM: Paulo César Silva Costa e Vicente de Paula Loureiro assumem as vagas que pertenciam a Mauricio Silva Knoploch dos Santos e Franquis Dias Nepomuceno. Mauricio e Franquis foram presos na operação do Ministério Público.
Além da mudança de pessoal, o Estado publicou portaria em que fica determinada a suspensão do pagamento de todos os contratos em andamento no IRM até a conclusão de uma auditoria conduzida por um grupo de trabalho formado por representantes do Instituto Rio Metrópole e da Controladoria-Geral do Estado (CGE). Foi estabelecido o prazo de 30 dias para a conclusão da análise.
Super-El Niño:
Desvio de R$ 86 milhões
A ação do Ministério Público, deflagrada no último dia 9, mirou um esquema de desvio de recursos públicos. Ao todo, 11 pessoas foram denunciadas pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitação e contratações, além de lavagem de dinheiro. Seis mandados de prisão foram cumpridos, além de outros nove de busca e apreensão, em endereços na capital, em São Gonçalo e em Teresópolis.
A autarquia, que deveria estabelecer políticas públicas conjuntas para os municípios da Região Metropolitana fluminense em áreas como mobilidade e saneamento, foi alvo da investigação por ter sido capturada por uma organização criminosa e transformada em uma máquina de desvio de dinheiro público.
Do calor extremo às chuvas intensas:
Segundo a acusação, presidente, diretores, procurador e servidores ocuparam cargos estratégicos para fraudar licitações, dar aparência de legalidade aos contratos, impedir a fiscalização e garantir o fluxo de recursos desviados, convertendo uma autarquia estadual criada para planejar políticas públicas em um "instrumento de enriquecimento privado".
De acordo com a denúncia apresentada à 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Capital, os acusados utilizaram contratos firmados pelo IRM entre julho de 2022 e maio de 2026 para desviar recursos. O esquema, afirma a denúncia, movimentou R$ 86,28 milhões. Segundo o Ministério Público, valores pagos a duas empresas contratadas eram posteriormente transferidos para o Brazilian Institute of Organics (Instituto BIO), entidade sem estrutura operacional compatível, de onde o dinheiro era sacado em espécie.
Teve pena extinta em fevereiro:
Na ocasião, o juiz Marcello Rubioli — da 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa, do Tribunal de Justiça do Rio — afirmou que é "essencial" que as instituições atuem para "dedetizar e sanitizar" o Rio. "É dizer que o Estado do Rio de Janeiro chegou ao fundo do poço e descobriu que ainda havia uma caixa de gordura", afirmou o magistrado na decisão que determinou a expedição dos mandados contra os alvos da ação.
Quem foram os denunciados presos
Davi Perini Vermelho, o Didê, presidente do IRM e ex-presidente da Câmara de São João de Meriti, que chefiava o núcleo de servidores investigado, autorizando contratações, firmando contratos e controlando pagamentos.
Maurício Silva Knoploch dos Santos, diretor de Planejamento e Projetos do IRM e integrante da Comissão Técnica de Licitação, apontado como articulador do direcionamento das licitações em favor das empresas contratadas.
Franquis Dias Nepomuceno, diretor de Desenvolvimento Metropolitano Integrado do IRM e delegado da Polícia Civil, que atuava como ordenador de despesas e exercia o controle de fato do grupo RioForte, responsável pela escolta armada do dinheiro.
Marcelo Lopes da Silva, procurador do Estado então à frente da Procuradoria-Geral do IRM, acusado de emitir os pareceres que deram cobertura jurídica às contratações e ao reajuste irregular do contrato. Ele é ex-procurador-geral do Estado e ex-secretário estadual de Desenvolvimento Econômico na gestão Wilson Witzel.
Caroline Soares Barros, que acumulava as funções de fiscal de contratos do IRM e presidente do Instituto BIO — a entidade de fachada por onde os recursos passavam antes de serem sacados em espécie.
Amanda Íthala Santos da Paschoa, que a sucedeu na fiscalização e atestou a execução dos contratos, respaldando os pagamentos. Ela é nora de Maurício Knoploch e cunhada de Alexandre Knoploch.
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