RJ em Foco

Tríplice Fronteira era usada para contrabando em esquema de lavagem de dinheiro para facções criminosas do Rio e de SP

Região seria utilizada por empresário libanês apontado como chefe da quadrilha; ele foi preso na Operação Hawala

Agência O Globo - 15/07/2026
Tríplice Fronteira era usada para contrabando em esquema de lavagem de dinheiro para facções criminosas do Rio e de SP
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O empresário do ramo de celular, apontado como chefe de um esquema que lavava dinheiro para facções criminosas no Rio e em São Paulo, foi preso em Foz do Iguaçu na manhã desta quarta-feira, durante a realização da Operação Hawala . De acordo com a polícia, o libanês Reda Zayoun usava a Tríplice Fronteira, entre Brasil, Paraguai e Argentina, para contrabandear os produtos que alimentavam a organização criminosa.

pac investigar:

Luto:

— A Tríplice Fronteira é uma região considerada pelo governo americano como de atuação de grupos terroristas, principalmente para lavagem de dinheiro. É uma região muito sensível também porque, notoriamente, é uma porta de entrada para armas, munição e drogas, além de produtos de contrabando. Então, a atuação desse grupo nessa região nos chamou a atenção por ser uma região monitorada, ser uma região sensível e com forte vínculo com organizações criminosas atuantes no Brasil — explicou o delegado Pedro Brasil , titular da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), uma das responsáveis ​​pela investigação.

Reda é irmão de Kassem e Yasser Zayoun , também integrantes do esquema e detidos em São Paulo, onde os três moram.

Em Itaguaí:

A lavagem de dinheiro, que beneficiava o Terceiro Comando Puro (TCP) , o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) , ocorria, principalmente, por meio de lojas de equipamentos de celulares e peças para esses aparelhos, embora houvesse a existência de outros ramos.

— Havia uma inserção de valores através de diferentes facções e esse dinheiro era usado para comprar, no exterior, peças e acessórios, que eram vendidos como se fossem legais. Eles declararam esses valores como sendo receitas de lucro das vendas. Além disso, foram identificados diversos depósitos fracionados, para tentar enganar a Receita Federal, e a parte do patrimônio para dificultar a investigação financeira — explicada o delegado.

Golpe da falsa renda extra:

Os dez mandados de prisão foram todos cumpridos pela manhã. Foram quatro detenções na cidade do Rio, uma em Nova Friburgo, uma em Foz do Iguaçu, no Paraná, e uma em São Paulo. Entre os presos no Rio, estão Thierry Martins Lourenço Ribeiro , último a chegar à Cidade da Polícia, por volta das 8h30, e Bárbara Luzia Souza de Carvalho . Esta última foi encontrada nas proximidades do Morro São Carlos, na região central da capital fluminense.

— A Bárbara é proprietária de uma loja de celulares, onde foi bloqueada uma movimentação financeira muito grande, de mais de R$ 47 milhões em um curto espaço de tempo e não compatível com a porta de seu comércio. Ela chegou a declaração de renda de R$ 880 por mês e já foi beneficiária de programas sociais. Então, essa entrega é incompatível com o patrimônio declarado. Já o Thierry é o contador do esquema. Ele fez toda uma manobra financeira para dar aparência lícita a um ativo ilícito — detalhado Pedro Brasil .

Acervo será aberto à visitação:

Entre os materiais apreendidos na operação desta quarta-feira, estão celulares, tablets, notebooks e automóveis. Outros itens encontrados apontam para outra vertente da quadrilha, até então não identificada pela investigação: o contrabando de cigarros eletrônicos e canetas emagrecedoras.

— Com as diligências de hoje, apreendemos um volume específico de canetas emagrecedoras, cigarros eletrônicos e convencionais, todos importados ilicitamente. Então, esse vai ser um novo braço da investigação, para entendermos como funciona essa conexão com o contrabando. Acreditamos que, por eles atuarem muito na fronteira com o Paraguai, este país possa ser uma porta de entrada desses produtos — destacou o delegado.

Dom Bertrand de Orléans e Bragança:

O próximo passo será analisar e extrair informações dos dispositivos apreendidos, para obter novas provas que direcionem futuras investigações, inclusive o envolvimento com organizações terroristas:

— As informações com o terrorismo ainda são muito embrionárias. Nossas investigações identificaram uma transação financeira entre um sancionado da OFAC (agência do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos) para ter financiado a organização terrorista Al-Qaeda , e um dos investigados. Além disso, um dos irmãos da Reda já postou nas redes sociais uma bandeira do grupo Hezbollah . Então, são sinceros que apontam que pode haver uma ligação com organizações terroristas, mas isso ainda não foi comprovado — afirmou o delegado.