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Tijuca tem mais de 200 metros de cabos roubados só este ano; moradores ficam sem luz e até peça de teatro é cancelada
Furtos recentes aconteceram em curto intervalo de tempo causando transtornos aos moradores. De acordo com a Light, só este ano foram 10 ocorrências do tipo no bairro.
Moradores das ruas Martins Pena e Marechal Marques Porto, na Tijuca, Zona Norte do Rio, ficaram no escuro na noite do último domingo, por volta das 18h, após o furto de cabos de um poste na Rua Martins Pena. Equipes da Light serviram no local e religaram a energia. Entretanto, menos de 10 horas depois, por volta das 4 horas de segunda-feira, os moradores ficaram novamente sem eletricidade devido a um novo furto, desta vez na parte subterrânea. O furto de cabos na região tem sido frequente e impactou até a agenda do Teatro Municipal Ziembinski, que precisou cancelar uma sessão por falta de luz. Segundo a condução, só neste ano foram 10 ocorrências desse tipo no bairro, totalizando 208 metros de cabos furtados. Em todo o ano passado, foram quatro registros na área, com cerca de 320 metros de cabos subtraídos.
Vítimas sofreram escoriações:
Vagas de rua no celular:
“Eu acordei com o ventilador desligando”, conta Francesco Vianna, morador da Rua Marechal Marques Porto. "Eu não acreditei que tinha furtado de novo. Era quase 4 horas da manhã e a Light já tinha religado a luz depois do primeiro furto."
Uma moradora de 81 anos teve acordo assustado com os gritos dos vizinhos de “pega, ladrão”. Ao olhar pela janela, após tentar a luz e constatar que não havia energia, viu três homens de capuz se afastando do poste e andando pela rua.
Diante da falta de luz, os moradores têm pela comida na geladeira, a falta de elevador e até de água. “A falta de luz desliga a bomba que faz a água subir para a caixa do prédio”, declarou o síndico de um prédio na Rua Martins Pena, que preferiu não se identificar.
Contudo, os moradores afirmam que os furtos não ocorrem apenas durante a madrugada. Outro residente da área viu de três a quatro homens furtando cabos durante o dia. "Era quase 11 horas da manhã quando eles se aproximaram do poste. Pedi para que não mexessem nos fios, mas me disseram para eu ficar 'suave' e mostraram um alicate que tiraram da bolsa", relatando, apontando para o poste que teve o fio furtado. “Quando a polícia passa, eles disfarçam e depois voltam.”
A Light informou que suas equipes atuaram no domingo (12), quando o fornecimento de energia foi normalizado, e retornaram na segunda-feira (13) para atender a nova ocorrência. A energia foi restabelecida antes das 13h.
A agência registrou 563 ocorrências de furos de cabos em sua área de concessão entre janeiro e junho de 2026. No período, foram transportados mais de 54 quilômetros de cabos, resultando em um prejuízo estimado em R$ 6,7 milhões. Nos três anos anteriores, entre 2023 e 2025, foram contabilizados 1.571 casos, com o furto de cerca de 435 milhas de cabos, ocasionando prejuízo estimado em R$ 45 milhões e ganhos no fornecimento de energia para aproximadamente 255 mil clientes.
Segundo a empresa, o furto de cabos e o vandalismo nas instalações elétricas comprometem a segurança da população, a confiabilidade do sistema elétrico e o funcionamento de serviços essenciais. Para coibir esses crimes, a Light mantém uma parceria com o Disque-Denúncia e ressalta a importância da colaboração da população.
Em nota, a Polícia Militar informou que não foi acionada para as ocorrências e que o “6º BPM (Tijuca) mantém o policiamento na região de forma permanente e estratégica, inclusive com o apoio de equipes do Programa Segurança Presente, percorrendo roubos e furtos. Nos casos de flagrante, os envolvidos são presos e encaminhados às delegacias da região. Porém, a corporação ressalta que mais de 81% dos presos por furto na área de atuação do batalhão neste ano são reincidentes, ou seja, já foram presos pelo mesmo crime e posteriormente liberados.”
A Polícia Civil também informou que não foi acionada para as ocorrências na Tijuca e que “atua de forma permanente e estratégica no combate ao furto de cabos no Rio de Janeiro, com foco na identificação, desarticulação e responsabilização criminal dos envolvidos”.
*Estagiária sob supervisão de Cláudia Meneses
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