RJ em Foco
‘Meu filho acreditou que o caminho do crime era uma saída’, diz mãe de jovem morto em ação policial
Mãe de Thiago Ribeiro Pareto Barbosa relata trajetória do filho, que se envolveu com o crime e morreu durante megaoperação na última semana
Entre as dezenas de famílias que aguardavam na porta do Instituto Médico Legal (IML) do Rio desde a última quarta-feira, muitas mães carregavam não só a dor da perda, mas também o peso da culpa e de lembranças de uma luta interrompida cedo demais. Uma dessas mães é a de Thiago Ribeiro Pareto Barbosa, que não via o filho há oito anos e pediu para não ser identificada.
“Meu filho, Thiago Ribeiro Pareto Barbosa, tinha 28 anos. Desde os 20, ele escolheu essa vida. E, desde então, faz oito anos que eu não via o meu filho. Fiquei no IML desde quarta-feira, esperando para reconhecer seu corpo. Ele mesmo quis assim. Disse que não queria que ninguém da família soubesse de nada dessa vida dele no crime, para não respingar na gente, para que ele pudesse seguir aquela vida sem arrastar ninguém junto. Eu não entendo até hoje. Fez o ensino médio completo, fez curso de auxiliar de administração, trabalhou como jovem aprendiz. Eu dei educação e uma casa onde nunca faltou nada. Coisas dele. Nenhum dos meus outros filhos seguiu esse caminho — todos trabalham, todos moram comigo. Mas ele quis ir por outro rumo.”
Ela relembra que a família morava na Vila da Penha. “Quando o Comando Vermelho começou a dominar tudo, eu decidi sair. Me mudei para Benfica. Mas ele quis ficar. Disse que ia ‘viver a vida dele’”.
“Tenho certeza de que foi influência dos amigos e dessa ilusão de vida fácil. Essas promessas de dinheiro, de poder, de respeito, que, no fim, não passam de um engano. Thiago acreditou nisso. Acreditou que o caminho do crime era uma saída.”
Mesmo com o distanciamento, a mãe nunca perdeu a esperança. “Eu sempre respeitei o silêncio dele, por mais que doesse. Mas, no fundo, uma mãe nunca deixa de esperar.”
A notícia da morte chegou por uma foto enviada por um conhecido da Penha. “Custei a acreditar. Oito anos sem ver meu filho — e agora só o reconheço numa foto dele morto.”
“Naquela hora, tudo o que consegui fazer foi vir para cá (o IML). Sou operadora de caixa, larguei o trabalho, pedi liberação.”
Ela reforça: “Eu nunca deixei faltar nada. Não sei o que faltou.”
O envolvimento de Thiago com o crime ficou evidente quando ele passou a andar com amizades diferentes e a aparecer com objetos caros. “Eu perguntava, e ele desconversava.”
Por fim, ela desabafa: “Não sei se dá para chamar isso de despedida. Porque, para mim, ele já tinha partido há muito tempo. Mas, mesmo assim, uma mãe nunca se acostuma. Nunca para de ser mãe.”
Depoimento concedido à repórter Anna Bustamante
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