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Megaoperação no Rio: mais de 50 mortos eram de fora; alguns deles lideravam o CV em estados como Pará, Bahia e Espírito Santo
Perícia identifica 109 dos 117 suspeitos mortos em operação; maioria das vítimas tem anotação criminal
Três dias depois da megaoperação realizada nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio, 109 dos 117 suspeitos mortos foram identificados após trabalho de uma força-tarefa de peritos montada no Instituto Médico Legal Afrânio Peixoto, no Centro. Em entrevista concedida no fim da manhã de ontem, o secretário de Polícia Civil do Rio, Felipe Curi, detalhou a lista tendo como base os 99 nomes conhecidos até aquele momento — número tratado como oficial pela corporação até a noite de ontem. De acordo com Curi, 78 dos mortos tinham ficha criminal por crimes graves como homicídio, tráfico de drogas, organização criminosa e roubos. Desses, 42 têm mandados de prisão em aberto.
Quem dita torturas, o especialista em 'propinas' e o general da guerra:
Longe, mas perto:
De fora do rio
A quantidade de criminosos oriundos de outros estados impressiona: seriam pelo menos 54 forasteiros. Alguns deles foram apontados pela polícia como chefes da facção Comando Vermelho em seus territórios de origem. De acordo com o que foi divulgado pelo secretário, havia 13 criminosos do Pará, sete do Amazonas, seis da Bahia, quatro de Goiás, quatro do Ceará, três do Espírito Santo, um do Mato Grosso e um da Paraíba.
'Solta o moleque':
— Alguns exemplos muito sensíveis que eu vou trazer para vocês aqui. Do Espírito Santo, Russo, chefe do tráfico em Vitória. Do Amazonas, Chico Rato e Gringo, chefes do tráfico em Manaus. Da Bahia, Mazola, chefe do tráfico de Feira de Santana. De Goiás, Fernando Henrique dos Santos, chefe do tráfico naquele estado — disse Felipe Curi.
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O secretário destacou ainda que a região alvo da megaoperação ganhou, nos últimos anos, importância nacional para a facção:
— Os complexos da Penha e do Alemão, até aquela ocupação de 2010, eram o QG (quartel-general) do Comando Vermelho apenas aqui no Rio. Essa constatação de hoje mostra que esses locais passaram a ser o QG do Comando Vermelho em nível nacional. São desses complexos que partem todas as ordens, decisões e diretrizes da facção para os outros estados.
Via-crúcis no IML:
Da lista divulgada, nenhum dos mortos havia sido denunciado pelo Ministério Público do Rio na investigação que embasou a ação policial.
Presidente de clube de tiro, dono de loja de armas, armeiro:
Um dos nomes apresentados pela Polícia Civil é o do capixaba Alison Lemos Rocha , o Russo, de 27 anos. Segundo a polícia do Espírito Santo, ele era chefe do tráfico do bairro Barro Branco, no município de Serra, na Região Metropolitana da Grande Vitória.
Lideranças perigosas
Francisco Machado dos Santos, o Macaco, era apontado pela polícia como um dos líderes do tráfico de Manaus. Em janeiro, ele chegou a ser preso com sete armas de fogo e drogas. Agora, havia dois mandados de prisão em aberto contra ele, um por homicídio qualificado por motivo fútil, em que foi condenado a 20 anos (não transitado), e outro, em condenação transitada em julgado por posse ilegal de arma e tráfico.
Rafael Correa da Costa, o Rafael Sorriso, era considerado o número 1 do CV em Abaetuba, no Pará. Ele acumulava cinco mandados de prisão, devido a acusações de extorsão, assalto a mão armada e homicídio. Foragido, era considerado “altamente perigoso” pela polícia paraense.
'Crueldade':
De Goiás, Marcos Vinícius da Silva Lima era chefe do tráfico da cidade de Itaberaí. Segundo investigações, teria se mudado para o Rio no final do ano passado. Do mesmo estado veio Keven Vinicius Sousa Ramos, que tinha um mandado de prisão após ter sido condenado a nove anos por tráfico de drogas.
Com drones e câmeras:
Outro na lista vindo de fora do Rio é Adan Pablo Alves de Oliveira, de 28. Ele tinha mandado de prisão expedido pela 1ª Vara Criminal de Trindade, de Goiás, foi condenado a 16 anos de prisão por assassinato e era considerado foragido.
‘Nenhum bandido importante no Brasil mora em uma favela’,
Já Brendon Cesar da Silva Souza respondia por participação em dois assaltos a ônibus e chegou a ser condenado duas vezes pelo mesmo tipo de crime. Em um dos crimes, em 2019, ele e mais dois comparsas chegaram a morder o dedo de um passageiro para levar uma aliança.
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