Política

Ex-ministro de Bolsonaro, Gilson Machado, deixa o PL após disputa interna em Pernambuco

Aliado próximo de Jair Bolsonaro, Gilson Machado anunciou saída do PL e reafirmou candidatura ao Senado por Pernambuco, mesmo sem apoio da direção estadual do partido.

21/01/2026
Ex-ministro de Bolsonaro, Gilson Machado, deixa o PL após disputa interna em Pernambuco
Gilson Machado - Foto: Reprodução / Agência Brasil

O ex-ministro do Turismo do governo Jair Bolsonaro, Gilson Machado, anunciou nesta quarta-feira (21) sua desfiliação do Partido Liberal (PL). O político afirmou que continuará na disputa por uma vaga no Senado por Pernambuco, mas ainda não revelou a qual legenda pretende se filiar. Em carta divulgada nas redes sociais, Machado justificou a saída pela falta de apoio da direção estadual do partido.

O impasse interno no PL, como revelou o Estadão, envolvia o presidente estadual da sigla, Anderson Ferreira, e Gilson Machado, ambos interessados em disputar o Senado. Com a saída de Machado, a expectativa é que o partido confirme Anderson Ferreira como candidato oficial em Pernambuco.

“Continuo sendo o nome defendido pelo presidente Jair Bolsonaro para a disputa ao Senado por Pernambuco. Porém, não sou o nome escolhido pela direção estadual do partido para essa missão”, escreveu Gilson Machado em sua carta.

O ex-ministro destacou que não conseguiu comunicar pessoalmente sua decisão a Jair Bolsonaro devido a restrições de deslocamento e à proibição de deixar Recife (PE). Segundo ele, a decisão foi compartilhada com o senador Flávio Bolsonaro e com Renato Bolsonaro, filho e irmão do ex-presidente, respectivamente.

Em junho do ano passado, Gilson Machado foi preso pela Polícia Federal no Recife. Segundo a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR), ele teria tentado obter um passaporte português para o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, sair do Brasil. Machado negou as acusações.

No mesmo dia, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a soltura de Machado. Moraes considerou que, após diligências da PF, a prisão preventiva não era mais necessária, sendo substituída por medidas cautelares, como o cancelamento do passaporte, restrição de saída do País e proibição de contato com outros investigados.

Na carta, Gilson Machado afirmou que “troca de partido, mas não de lado” e reforçou seu alinhamento ao bolsonarismo. “Sigo fiel aos meus ideais e valores. Sempre leal ao presidente Jair Bolsonaro e ao senador Flávio Bolsonaro”, declarou.

Aliado próximo de Bolsonaro desde 2018, Machado ocupou cargos como secretário do Ministério do Meio Ambiente e presidiu a Embratur por mais de um ano. Em dezembro de 2020, assumiu o Ministério do Turismo. Também é sanfoneiro, já gravou com artistas como Zé Ramalho e integra a banda Brucelose, sendo conhecido por tocar sanfona em lives de Bolsonaro durante a pandemia de covid-19.