Política

Vice-prefeito de São Paulo critica Tarcísio por cancelar visita a Bolsonaro na Papudinha

Coronel Mello Araújo lamenta decisão do governador e diz que metade da população gostaria de visitar o ex-presidente

21/01/2026
Vice-prefeito de São Paulo critica Tarcísio por cancelar visita a Bolsonaro na Papudinha
Coronel Mello Araujo

O vice-prefeito de São Paulo, Coronel Mello Araújo (PL), manifestou insatisfação com a decisão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) de cancelar a visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que estava prevista para esta quinta-feira (22), na Papudinha, em Brasília.

"Vejo como um equívoco. Entendo que o presidente, nessa situação humanitária que ele está vivendo, passando por todo esse sofrimento... Pelo menos metade da população brasileira gostaria de visitá-lo. Eu seria um deles, um voluntário para ir até lá", afirmou Araújo ao Estadão nesta quarta-feira (21).

Questionada pelo Estadão sobre as críticas, a assessoria do governador Tarcísio de Freitas não se manifestou até o fechamento desta edição, mas o espaço segue aberto. Em nota, a Secretaria de Comunicação (Secom) do Estado informou que Tarcísio pediu o adiamento da visita a Bolsonaro devido a compromissos em São Paulo e que uma nova data será marcada.

Araújo reforçou que, diante das circunstâncias, teria feito o possível para comparecer: "Eu me esforçaria muito para ir, ainda mais nas circunstâncias em que está o presidente, sofrendo tanto. Eu iria para motivá-lo, tentar melhorar a situação de saúde e moral do presidente", declarou.

Em entrevista ao jornal O Globo, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que Tarcísio ouviria do próprio Bolsonaro elogios ao seu trabalho como governador de São Paulo e a importância de sua reeleição para a estratégia nacional de oposição ao PT. Segundo Flávio, as eleições presidenciais estão descartadas para Tarcísio.

De acordo com a colunista Roseann Kennedy, do Estadão Analisa, o governador teria evitado o encontro para não ser "enquadrado" por Bolsonaro a apoiar a candidatura do filho à Presidência. A apuração aponta que Tarcísio, cansado de críticas dos filhos do ex-presidente, prefere aguardar o melhor momento para a visita.

Mello Araújo negou que a desistência do governador esteja relacionada a articulações eleitorais: "O presidente escreveu uma carta de próprio punho para não existir dúvidas de que ele (Flávio Bolsonaro) é o candidato. Para toda a direita, é Flávio Bolsonaro. E o governador, em todas as entrevistas, se coloca como candidato à reeleição em São Paulo", afirmou.

Para Araújo, não haveria razão para Tarcísio não comparecer, salvo questões de agenda: "Se fosse eu – e metade da população brasileira –, tenho certeza de que alguns até pagariam para ir lá, confortar o presidente, elevar a moral dele. Na minha visão, o governador acabou sendo mal assessorado pela equipe política, sendo induzido ao erro", avaliou.

Sem visitar Bolsonaro desde o período em que o ex-presidente estava em prisão domiciliar, Mello Araújo disse que gostaria de revê-lo, mas reconheceu a prioridade dos familiares nas visitas: "As visitas estão bem limitadas e, como não é todo dia, ficam mais para os familiares. Depois da visita que fiz, solicitei novos pedidos, mas entendo que há centenas de pessoas na política que gostariam de falar com o presidente", concluiu.