Poder e Governo

Quaest presidencial: Lula lidera cenários de 2º turno com 43% contra 40% de Flávio Bolsonaro

Flávio apresenta oscilação positiva na comparação com a pesquisa anterior

Agência O Globo - 14/08/2026
Quaest presidencial: Lula lidera cenários de 2º turno com 43% contra 40% de Flávio Bolsonaro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Foto: Ricardo Stuckert/PR

Pesquisa Quaest divulgada nesta sexta-feira — a primeira contratada pela TV Globo e pelo jornal O GLOBO — mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 43% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), que marca 40%. Outros 13% indicam intenção de votar em branco, nulo ou não comparecer às urnas, e 4% se dizem indecisos.

Trata-se de uma oscilação positiva para Flávio na comparação com a pesquisa anterior. Hoje, a diferença de três pontos entre Lula e o candidato do PL era de cinco no levantamento do início do mês e de oito em julho. O resultado de agora configura empate técnico.

A Quaest testou ainda outros cenários de segundo turno. Ronaldo Caiado (PSD) registra 37% contra 44% do presidente; Renan Santos (Missão), 36% a 44%; Romeu Zema (Novo), 34% a 45%.

A pesquisa traça também o cenário para o primeiro turno. O petista aparece com 38% das intenções de voto, enquanto o bolsonarista marca 31%. Em seguida, aparecem Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão), ambos com 4%. Romeu Zema (Novo), por sua vez, marca 2%.

Na pesquisa anterior, divulgada na semana passada, Lula tinha 39% e Flávio, 30%. Já Caiado, Renan e Zema marcavam 4%, 4% e 2%, respectivamente. Os levantamentos, entretanto, não são diretamente comparáveis, uma vez que a lista de candidatos não é a mesma.

Rejeição

Enquanto o petista, que disputa a reeleição, tem 52% de rejeição, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) marca 54%, segundo a nova pesquisa Quaest, contratada pela TV Globo e O GLOBO, divulgada nesta sexta-feira.

No início de agosto, Flávio era o pré-candidato com maior rejeição entre os testados, com a desaprovação de 54% dos eleitores, recuo de três pontos percentuais em relação a julho, número que se manteve nesta rodada. Mais próximo do início do ano, em abril, o percentual era menor, de 52%. Já Lula marcava 52% de rejeição em agosto, um número que interrompeu uma tendência de queda. Em julho, ele havia obtido 50%, tendo atingido 53% em junho e 55% em abril.

Segundo a pesquisa, Lula apresenta o maior potencial de voto, com 45% dos eleitores afirmando que poderiam votar no atual presidente. Apenas 3% dos eleitores disseram desconhecer o petista. Flávio Bolsonaro, por sua vez, tem potencial de voto de 41%, sendo desconhecido por 5% dos eleitores.

A Quaest destaca que, entre os demais candidatos, o desconhecimento supera o potencial de voto e rejeição. O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), aparece com 22% de potencial de voto e 35% de rejeição, enquanto 43% não conhecem o candidato. O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), tem 19% de potencial de voto, 34% de rejeição e 47% de desconhecimento entre os eleitores. Renan Santos (Missão) aparece com 14% de potencial de voto e 21% de rejeição, sendo desconhecido por 65% do eleitorado. Os outros candidatos são desconhecidos por mais de 70% dos eleitores.

A pesquisa ouviu 2.004 eleitores entre segunda e quinta-feira. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. A sondagem foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-06773/2026.

Contexto

O levantamento do instituto é o primeiro feito após o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizar a Polícia Federal (PF) a investigar o filho do presidente Lula — Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha — por suspeita de tráfico de influência. A corporação também apura um repasse da empresária Roberta Luchsinger a Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula.

Em relação a Flávio, a pesquisa é a primeira depois da escolha do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), que foi relator da CPI do INSS, como candidato a vice na chapa presidencial. Gaspar é alvo de procedimento no STF relacionado a uma acusação de estupro de vulnerável apresentada por parlamentares, o que ele nega.

O deputado colocou seu material genético à disposição para um exame de DNA. Como mostrou O GLOBO, um comerciante que é peça-chave na acusação apresentou versões opostas sobre o caso.

Além disso, Flávio se reconciliou com a madrasta, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que havia feito um vídeo para criticar o presidenciável.