Poder e Governo

Transparência Internacional critica 'blindagem' e 'escalada autoritária' do STF após busca contra fonte de jornalista

Alvo foi o ex-secretário do governo do Maranhão Raimundo Cutrim que, segundo a investigação, mantinha contato com o profissional da imprensa

Agência O Globo - 13/08/2026

A ONG Transparência Internacional-Brasil criticou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinou a ação da Polícia Federal (PF) contra a fonte do jornalista Luis Pablo . A organização fala em “cegueira” e pavimentação de uma “escalada autoritária” da Corte ao tratar sobre o caso.

Avaliação de especialistas:

Do jogador Edmundo à judoca Sarah Menezes:

Luis Pablo foi responsável por uma reportagem sobre o uso pretendido irregular de veículo oficial por Flávio Dino , também ministro do STF. Em março, o jornalista foi alvo de uma operação e teve seus celulares e equipamentos eletrônicos apreendidos.

Desta vez, o alvo foi o ex-secretário do governo do Maranhão Raimundo Cutrim que, segundo a investigação, manteve contato com Luis Pablo. A ação foi pedida pela PF e teve concordância da Procuradoria-Geral da República. Para o investigador, o jornalista é suspeito de perseguir Dino.

Para a Transparência Internacional-Brasil , a "jurisdição universal normalizada no STF tornou-se vetor permanente de autoritarismo e abuso de poder".

“Os poderes de confiança autoconcedidos do STF deixaram muito de ter como alvo conspiradores reais em situações extraordinárias de ameaça institucional. Passaram a servir sistematicamente à blindagem de ministros contra o escrutínio público e investigações, à retaliação contra denunciantes e, por vezes, até a vendetas pessoais”, diz a ONG.

“As lideranças verdadeiramente democráticas do país devem assumir a responsabilidade de restaurar os limites constitucionais ao exercício do poder pelo STF, antes que a ocorrência a esses abusos deixe de ser uma exigência por normalidade constitucional e passe a se manifestar como ataque irrefreável à própria Corte e à sua independência”, completou.

Avaliação de especialistas

A decisão de Moraes abre um precedente preocupante para a liberdade de imprensa, segundo especialistas ouvidos pelo GLOBO . Os Estudiosos do Direito avaliam que a violação da privacidade de profissionais e a consequente investigação de quem fornece informações cruciais para uma reportagem contrária à cláusula pétrea da Constituição, ou seja, que não pode ser alterada nem sequer pelo Congresso.

A ordem do ministro, segundo esses especialistas, coloca em xeque não apenas o ofício de repórteres, mas a vigilância dos que exercem o poder, uma das características de regimes democráticos.