Poder e Governo

Cármen Lúcia defende a segurança das urnas em evento no Rio

Ministra do STF falou sobre a participação das mulheres na política

Agência O Globo - 07/08/2026
Cármen Lúcia defende a segurança das urnas em evento no Rio
A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF) - Foto: Reprodução / Agência Brasil

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu a segurança das urnas eletrônicas e afirmou que a confiança nas instituições é um dos pilares da democracia durante a sua participação no último dia do Rio Innovation Week, na tarde desta sexta-feira, na capital fluminense. Em conversa mediada pela desembargadora e escritora Andréa Pacha, a magistrada foi questionada sobre o cenário de desconfiança em relação à democracia no Brasil. Ao responder, a ministra usou da mitologia grega para mostrar que a prática do voto acompanha a humanidade há séculos e lembrou a história de 50 mulheres que fugiram do Egito para escapar de casamentos forçados e buscaram asilo no reino de Argos. Diante do pedido, o rei decidiu submeter a decisão por meio de uma votação:

— A decisão da permanência delas foi decidida pela quantidade de mãos erguidas, práticas que usamos até hoje em contextos de votação. Isso foi importante para mostrar que, em diferentes civilizações, com a mão a pessoa decide.

A ministra relacionou esse contexto histórico aos ataques sofridos pelo sistema eleitoral brasileiro nos últimos anos. Segundo ela, mesmo com a urna eletrônica sendo criada pelo Brasil, surgiram questionamentos sobre a confiabilidade do sistema nos últimos anos, em especial pelo grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

— A urna é do povo brasileiro e foi criada por nós, e ainda assim tivemos o questionamento sobre a confiança nela. Na cabine da urna não há absolutamente ninguém além de você. Ninguém saberá o que você fez. É você quem decide o representante que te representa. A desconfiança é fácil de plantar, mas construir a confiança, que é a base da democracia, é difícil.

'É preciso que a palavra 'liberdade' não seja vã'

Cármen Lúcia ainda reiterou a importância do significado de liberdade como um direito e também dever coletivo, e defendeu que sua preservação depende do compromisso de cada cidadão com a democracia e com o respeito ao próximo.

— Eu sou de uma geração que lutou tanto pela liberdade porque a gente não teve. Havia gente que desaparecia sem a menor explicação. É preciso que a palavra 'liberdade' não seja vã, ela precisa ser preservada como compromisso, assim como a nossa responsabilidade para cuidar de si e do outro, porque isso faz parte da convivência. Não há democracia sem o cuidado com todos.

A ministra falou também da importância da maior participação política feminina e citou a necessidade de lutar por um mundo menos violento com as mulheres:

— 53% do eleitorado é feminino, e isso não é minoria. É preciso que todas nós, mulheres, e também os homens, lutemos por mais igualdade em uma sociedade marcada por tanta desigualdade. Um mundo que mata, fere e agride 310 milhões de mulheres no planeta Terra, em 2025, não é um mundo que cogita mais civilidade, mas um mundo que precisa restabelecer urgentemente a humanidade.

Cármen Lúcia iria participar de forma presencial no evento, mas devido à previsão de fortes ventanias, teve seu voo cancelado. Ao entrar na chamada de vídeo exibida em uma grande tela, brincou:

— Se essa tela fosse de cinema, o filme seria “E o vento levou” porque me levou para longe de onde eu queria estar, que era com vocês.

(*Estagiária sob supervisão de Luã Marinatto)