Poder e Governo
Governo argentino autoriza entrada da Marinha do Brasil para exercício militar em meio a tensões diplomáticas
Operação binacional reunirá unidades dos dois países no Atlântico Sul e ocorrerá entre as bases navais de Puerto Belgrano e Mar del Plata
Em meio a tensões diplomáticas entre os presidentes da Argentina, Javier Milei, e do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva (PT), o governo argentino autorizou a entrada de homens da Marinha brasileira no país para participar de um exercício militar no Atlântico Sul na próxima quinta-feira. A atividade, que terá duração de 12 dias, envolverá navios de superfície, aeronaves e submarinos das Forças de ambas as nações.
Trata-se da Fraterno XXXIX, uma operação binacional que reunirá unidades das Marinhas argentina e brasileira no Atlântico Sul e ocorrerá entre as bases navais de Puerto Belgrano e Mar del Plata.
"O Fraterno, realizado anualmente desde 1978, visa aumentar o treinamento conjunto e a interoperabilidade em operações navais, aeronaval e anfíbias da Marinha argentina e da Marinha brasileira, permitindo a padronização e simplificação dos processos de planejamento e comando", disse o Poder Executivo argentino no Diário Oficial publicado nesta quinta-feira.
Além disso, o governo de Milei considerou que a participação da Argentina no exercício "sinaliza seu compromisso com a segurança internacional e a estabilidade regional, reforçando sua posição como parceiro estratégico nas Américas".
"A não participação no exercício afetaria significativamente o treinamento naval em operações conjuntas com a Marinha do Brasil, particularmente no que diz respeito a atividades de alta complexidade operacional tática", informou ainda o decreto.
Durante o evento, o Brasil utilizará o submarino Humaitá, incorporado à Marinha em 2024 e que realizará sua primeira missão internacional em águas argentinas.
Tensões diplomáticas
Dias atrás, durante a apresentação de Flávio Bolsonaro (PL) como candidato à presidência do Brasil, Milei o apoiou e criticou Lula, a quem chamou de "corrupto". As declarações geraram indignação na diplomacia brasileira, que convocou seu embaixador na Argentina, Julio Bitelli, para consultas.
O Brasil exigiu um pedido de desculpas, mas, em vez disso, o presidente argentino insistiu no discurso e, em entrevista a Luis Majul na LN+, voltou a criticar Lula, chamando-o de "presidiário" e "ladrão".
— Ele fica bravo porque eu disse algo verdadeiro para Lula. Mas omitem os insultos de Lula e seus ministros, de Petro, de Evo Morales, Correa, Pedro Sánchez e seus aliados. Quando me insultam, tudo bem. O pior é que me acusam com mentiras, e eu respondo com verdades. Eu não menti. Quando respondo com verdades, o senhor Lula se sente atacado? Ele é um vigarista e um ladrão. É um condenado. Saiu da prisão por meio de um recurso administrativo. Eu fui ao Brasil e não ataquei os brasileiros; falei em defesa dos brasileiros. Falei sobre Lula, o corrupto, o condenado, e sobre o juiz Alexandre de Moraes, que negou a visita a Bolsonaro — disse Milei.
Assim, as tensões entre os dois países aumentaram, e o Ministério das Relações Exteriores brasileiro decidiu não reintegrar seu embaixador, mas sim adiar seu retorno por tempo indeterminado.
“Fomos muito pacientes, não respondemos, mas acreditamos que as repetidas ofensas contra o presidente tornam essa decisão inevitável”, disse uma fonte do governo brasileiro ao La Nación.
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