Poder e Governo
Tarifaço, visto de embaixadora e guerra da Ucrânia: o que pode entrar na conversa entre Lula e Trump
Presidente sinalizou a aliados de partidos da esquerda, nesta quarta-feira, que buscaria falar com o americano na próxima semana
Com a possibilidade de uma conversa entre o presidente Luiz Inácio da Silva (PT) e Donald Trump no radar, aliados do petista afirmam que é preciso aproveitar a oportunidade para tentar aplacar as discussões nas relações com o governo dos Estados Unidos.
Nas últimas semanas, uma série de episódios culminou em um momento crítico entre os dois países. O governo dos Estados Unidos impôs uma nova rodada de tarifas sobre produtos brasileiros e, mais recentemente, revogou o visto da embaixadora brasileira, Maria Luiza Viotti .
Como o GLOBO divulgou, a expectativa é de que possam ser discutidos temas como essas tarifas, alvo de críticas por parte do governo federal, e até mesmo a celeuma que levou ao cancelamento temporário do visto da embaixadora.
O governo Lula acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) após a nova tarifaço imposta por Trump e ainda busca, por meio de negociações diplomáticas, mitigar o impacto dessa medida.
O entorno de Lula apontou que as tarifas poderiam prejudicar o presidente nas eleições e favorecer seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que conta com a simpatia de Trump e do secretário de Estado, Marco Rubio . Diante desse cenário, integrantes do Planalto destacaram que deveriam usar essa situação para atacar Flávio, acusando-o de agir contra os interesses do Brasil. O discurso de defesa da soberania, que já tem sido utilizado pelos governantes e pelo próprio Lula, deverá ser reforçado.
Na terça-feira, o governo americano anunciou a revogação do visto de Viotti, devido à ausência de concessão do acordo (aceitação diplomática) ao embaixador indicado pelos EUA para atuar em Brasília. A decisão da administração Trump foi uma medida de reciprocidade, segundo um porta-voz do Departamento de Estado, pela não aprovação do governo brasileiro ao nome de Daniel Perez , indicado pelos EUA para as funções de novo embaixador em Brasília. O entorno de Lula informa que o petista indicou que não concederá nenhum acordo até o fim das eleições.
Um aliado que participou da reunião entre Lula e políticos do PSOL e da Rede afirmou que o presidente também revelou que o governo brasileiro estava avaliando os cenários e a resposta que daria a essa atitude do governo americano.
Além disso, interlocutores do petista enfatizam a importância de destacar esses acontecimentos, afirmando que isso representaria uma tentativa do governo americano de interferir nas eleições de outubro.
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