Poder e Governo

Governo Lula rebaixa nível da relação diplomática com a Argentina após novos ataques de Milei

Com a decisão, embaixador brasileiro não voltará para Buenos Aires

Agência O Globo - 05/08/2026

O governo brasileiro decidiu rebaixar o nível das relações diplomáticas com a Argentina após novos ataques do presidente Javier Milei ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com a decisão, o embaixador Julio Bitelli não voltará para Buenos Aires.

A representação diplomática do Brasil no país passará a ser comandada por um encarregado de negócios. A informação foi revelada pelo jornal argentino Clarín e confirmada pelo GLOBO com um integrante do governo brasileiro.

No domingo, durante entrevista à emissora local LN+, Milei retomou os ataques contra Lula e chamou o petista de "ladrão" e "corrupto".

Na mesma entrevista, o argentino também defendeu o tom das declarações dadas durante a convenção de lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro a presidente no dia 25 de julho, em São Paulo.

— O que é agressivo é quando alguém rouba. É muito menos grave chamar um ladrão de ladrão do que o próprio ato de roubar.

Milei falou das condições econômicas de seu país quando assumiu o cargo, atrelando isso ao socialismo. Ele criticou o Foro de São Paulo “criado por Lula da Silva e Fidel Castro, uma rede internacional chave para a disseminação do comunismo no continente”.

— O que quero dizer é que o Brasil ainda não viveu as consequências mais nefastas e profundas deste modelo, mas pode vivê-las se não der uma volta de rumo. Confiamos em você, Flávio, para conseguir parar o socialismo — falou.

O presidente argentino ainda chamou Lula de “presidiário” e Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), de "lixo careca" por ter negado pedido de visita a Jair Bolsonaro.

No mesmo dia, o governo decidiu convocar o embaixador Julio Bitelli para vir ao Brasil em uma das atitudes tomadas para demonstrar insatisfação com as declarações de Milei.

A outra foi a convocação do embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, pelo ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira. No encontro, o chanceler transmitiu a repulsa do governo às críticas dirigidas a Lula, às instituições brasileiras e a Moraes.