Poder e Governo
Aliados de Lula veem revogação de visto como nova tentativa de Trump de interferir nas eleições
Departamento de Estado afirmou que a medida é uma resposta à demora do governo brasileiro em conceder o aval diplomático a indicado pra embaixada em Brasília
Integrantes do governo brasileiro avaliam que a decisão do governo Donald Trump de revogar o visto da atual embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti, é mais uma tentativa da Casa Branca de intimidar a gestão petista.
Nesta terça-feira, o governo americano anunciou a revogação do visto de Viotti devido à ausência de concessão do agrément (aceitação diplomática) ao embaixador indicado pelos EUA para atuar em Brasília. Como o GLOBO mostrou, a decisão da administração Trump foi uma medida de reciprocidade, segundo um porta-voz do Departamento de Estado, pelo não aval do governo do Brasil ao nome de Daniel Perez, indicado pelos EUA para assumir funções como novo embaixador em Brasília.
O governo Lula divulgou nota, na mesma data, em que afirma que "repudia" a decisão e diz que as "justificativas apresentadas são falsas".
Parlamentar no estado da Flórida, Perez foi nomeado para o cargo pelo governo Trump em junho e, há duas semanas, teve seu nome confirmado por uma comissão do Senado dos EUA. A indicação de Perez para comandar a embaixada americana ainda precisa passar pelo plenário da Casa. Perez é figura ligada ao Maga, o movimento Faça os Estados Unidos grandes Novamente, e é alinhado ao secretário de Estado, Marco Rubio, crítico de Lula.
Integrantes do Itamaraty consideram que a decisão do governo americano é uma retaliação política e se soma a outras medidas que buscam gerar prejuízos ao governo Lula, como o novo tarifaço aplicado a produtos brasileiros. Aliados do presidente petista argumentam que essa é mais uma tentativa do governo Trump de influenciar as eleições brasileiras, um temor crescente entre o entorno de Lula.
O próprio presidente passou a incorporar essa possibilidade em discursos públicos, afirmando que os EUA tentarão interferir "para ajudar o lado de lá", mas que não está preocupado com isso. A avaliação do entorno de Lula é que Trump atua contra a reeleição de Lula e apoia o clã Bolsonaro, representado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário do petista nas eleições deste ano.
Por outro lado, integrantes da campanha do presidente afirmam que isso fornece mais munição para atacar Flávio Bolsonaro, ressaltando que ele atua contra os interesses do povo brasileiro e compromete a soberania do país. Eles afirmam que a defesa da soberania brasileira, já presente nos discursos de Lula, deverá continuar em pauta e ganhar mais peso neste momento.
Líder do governo no Congresso, o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou que a revogação do visto pelo governo Trump é uma "afronta inaceitável" e uma "tentativa torpe de chantagem contra o Brasil", conforme alega, que viola "as regras mais elementares do respeito internacional".
"O Brasil não pode se curvar a esse tipo de intimidação. A soberania do nosso país é inegociável. Minha total solidariedade à embaixadora e à diplomacia brasileira. Defender a nossa soberania e impor o respeito à nossa bandeira não é uma opção: é um dever", escreveu em publicação nas redes sociais.
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