Poder e Governo

Cúpula do PT discute situação de ex-chefe de gabinete de Lula após revelação de repasse de empresária

Reunião já estava marcada antes de revelação sobre pagamentos

Agência O Globo - 04/08/2026
Cúpula do PT discute situação de ex-chefe de gabinete de Lula após revelação de repasse de empresária
Marco Aurélio Santana Ribeiro

Reunida na manhã desta terça-feira em Brasília, a executiva nacional do PT discute a situação do ex-chefe de gabinete da Presidência Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, que recebeu repasse da empresária Roberta Luchsinger. A avaliação é que, para o assessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva continuar na equipe de coordenação da campanha à reeleição, será necessário apresentar comprovantes de que quitou o suposto empréstimo.

Durante o encontro, Romênio Pereira, secretário de assuntos internacionais, criticou a conduta do ex-chefe de gabinete de Lula. No entanto, de acordo com membros da executiva, comentários que colocavam em xeque a permanência de Marcola na coordenação da campanha à reeleição foram feitos mais nos bastidores da reunião, que ocorre na sede do partido em Brasília.

Há um entendimento também na cúpula do PT de que o caso será explorado pela campanha de Flávio Bolsonaro, candidato do PL, e abrirá um flanco para tentar vincular Lula a esquemas de corrupção em seu governo. A reunião da executiva havia sido convocada antes de a informação sobre o repasse vir à tona.

A transferência financeira feita por Roberta a Marcola está sendo investigada pela Polícia Federal. A empresária é apontada como lobista que participou do esquema de fraudes do INSS.

Em nota, o ex-chefe de gabinete da Presidência confirmou que recebeu os valores de Roberta, sem especificar quanto, na forma de um empréstimo que teria sido posteriormente quitado.

O GLOBO mostrou que integrantes do governo admitem constrangimento com o caso e cobram que o ex-auxiliar do presidente mostre os comprovantes dessa transação para estancar a crise.

Aos 40 anos, Marcola é um dos auxiliares mais jovens de Lula e manteve forte relação com o petista na última década, com acesso ao presidente em momentos privados e atento inclusive aos hábitos do petista. Cuida da agenda do presidente desde a época do Instituto Lula, onde ingressou em 2015. Foi um dos coordenadores executivos da caravana de Lula pelo Brasil em 2017 e mudou-se para Curitiba quando o presidente esteve preso na Superintendência da Polícia Federal, entre 2018 e 2019. No fim de julho, deixou a chefia de gabinete de Lula para integrar a pré-campanha à reeleição, onde cuidará da agenda do petista, ao lado do ex-ministro Gilberto Carvalho.