Poder e Governo

Fachin diz que STF deve conviver com contestações: ‘Fortalece a democracia’

Presidente da Corte reconhece desafios na comunicação e na duração dos processos, mas afirma que críticas, dentro dos limites republicanos, fortalecem a democracia

Agência O Globo - 03/08/2026
Fachin diz que STF deve conviver com contestações: ‘Fortalece a democracia’
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin - Foto: Reprodução / Agência Brasil

Na abertura do segundo semestre do Judiciário, nesta segunda-feira, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin , defendeu a Corte e afirmou que o tribunal deve estar preparado para conviver com críticas. Ressaltou ainda que essas críticas fortalecem a democracia quando exercidas 'dentro dos limites republicanos' . Em seu discurso, Fachin destacou desafios internos, como a duração dos processos, a necessidade de aprimorar a comunicação das decisões e ampliar o diálogo com a sociedade e os demais Poderes.

— O Supremo Tribunal Federal não reside na ausência de crítica, mas na capacidade de conviver com ela sem perder a serenidade necessária ao exercício da função jurisdicional — afirmou.

Segundo o ministro, um tribunal constitucional que decide temas de grande repercussão social deve aceitar que suas decisões sejam debatidas e até contestadas pela opinião pública.

— Um Tribunal Constitucional que decide sobre temas de grande repercussão social tem de aceitar, como natural, que suas decisões sejam debatidas, comprovadas e, por vezes, contestadas pela opinião pública. Essa tensão, quando exercida dentro dos limites republicanos, não fragiliza a instituição, mas fortalece a democracia — disse.

Fachin também afirmou que a Corte continuará concentrando esforços para reduzir a duração dos processos, tornar suas decisões mais claras e fortalecer o diálogo institucional. Segundo ele, o STF tem investido em tecnologia processual, na ampliação da transparência dos julgamentos, na publicidade das sessões e na produção sistemática de dados sobre a atuação do tribunal. Essas medidas, segundo afirmou, buscam reforçar a segurança jurídica e a confiança da sociedade na instituição.

Na abertura da sessão, o presidente ainda agradeceu ao ministro Alexandre de Moraes , que comandou o STF durante o recesso de julho, e destacou que a Corte manteve o funcionamento durante o período. De acordo com os números apresentados por Fachin, entre os dias 2 e 31 de julho foram concluídos 1.263 processos, além da prolação de 245 decisões e 921 despachos. Para o ministro, os dados demonstram que ‘nenhuma garantia fundamental ficou desamparada’ durante o recesso.

O presidente do STF também homenageou o ministro Cristiano Zanin pelos três anos de atuação na Corte. Fachin elogiou a trajetória dos colegas e afirmou que sua produção jurisprudencial já evidencia uma atuação marcada pela defesa dos direitos fundamentais, pelo equilíbrio entre os Poderes e pela proteção da liberdade de imprensa e da igualdade de gênero. Como exemplos, citou decisões sobre a desoneração da folha de pagamentos, a exigência de vacinação contra a Covid-19 para matrícula escolar, a derrubada de censura a conteúdo jornalístico e julgamentos que impedem restrições à participação de mulheres em concursos para as polícias militares e corpos de bombeiros.

Ao encerrar o discurso, Fachin ressaltou o compromisso do Supremo com a harmonia entre os Poderes.

— Da mesma forma, cabe a esta Corte reafirmar, sempre que necessário, seu compromisso com a harmonia entre os Poderes. Isso tem acontecido e, por ocasião de estarmos na semana em que a Lei Maria da Penha completa 20 anos, menciono o Pacto Brasil firmado pelos Três Poderes pelo Enfrentamento do Feminicídio, um dos maiores desafios que nosso país enfrenta na atualidade — afirmou.