Poder e Governo

Ao lado de Flávio, Tarcísio participa da convenção do Republicanos em São Paulo

Candidato à reeleição, governador participa de convenção do partido em SP na manhã deste sábado (1)

Agência O Globo - 01/08/2026
Ao lado de Flávio, Tarcísio participa da convenção do Republicanos em São Paulo
Flávio e Tarcísio

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que busca a reeleição ao Palácio dos Bandeirantes, já está na convenção do partido para lançar sua candidatura.

A convenção dos Republicanos está sendo realizada no ginásio do Ibirapuera, na Zona Sul, na manhã deste sábado (1). Também estão presentes o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o candidato a presidente, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) e os candidatos ao Senado André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), entre outros.

O encontro entre Tarcísio e Flávio ocorre em meio a uma reviravolta na candidatura presidencial do senador do PL. Na véspera, após dizer que a senadora Tereza Cristina (PP) havia aceitado ser seu vice na chapa, o partido logo emitiu uma nota dizendo que não apoiaria a empreitada, o que inviabilizou a ideia de Flávio.

A fala de indicação do Senado ocorreu antes de uma reunião do candidato presidencial com vereadores paulistanos, capitaneada pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB). Segundo um aliado do prefeito, a reunião foi para mostrar a importância dos parlamentares atuarem no prol de Flávio, principalmente nas periferias.

Discurso moderado

Tarcísio chegou à convenção dos Republicanos com uma ampla aliança e independência do bolsonarismo. Como mostrou O GLOBO neste sábado (1), se em 2022 o então candidato ao governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi eleito usando uma camisa amarela com uma foto ao lado de Jair Bolsonaro , o mesmo Tarcísio que buscará a reeleição quatro anos depois se mostra cada vez mais independente do chamado bolsonarismo raiz. Neste sábado (1º), durante a convenção dos Republicanos, no Ginásio do Ibirapuera, a estatueta do atual governador será mais animada ao centro.

Segundo aliados de Tarcísio, palavras como trabalho , coragem e resultado foram estrategicamente pinceladas no discurso após pesquisas internacionais para verificarem boas facilidades entre seu público. Os principais temas também foram pensados ​​em segundas análises internas, como segurança, saúde e mobilidade.

No ginásio, a estrutura da convenção foi pensada para que o governador ficasse em um palco central e falasse olhando para todos que se sentaram em volta, como em uma arena. Só subiu ao palco quem discursou, como o próprio candidato, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) e o presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O projeto é diferente do que propôs e fez o PL na convenção de Flávio, na semana passada, no Pacaembu. Na ocasião, o senador chegou "pela galera" e subiu ao palco, montado no canto do auditório bloco do estádio. Dezenas de pessoas o aguardaram, incluindo Tarcísio e o presidente da Argentina, Javier Milei , que fizeram o discurso mais duro do dia.

Ao contrário também há quatro anos, Tarcísio escolheu uma disputa com uma ampla gama de partidos. Serão 12 legendas: Podemos , PP , União Brasil , PL , PSD , Novo , PRD , PSDB , Cidadania , Avante e MDB , além dos próprios Republicanos. Com a frente partidária, o candidato conseguiu reduzir o número de concorrentes, o que pode abrir caminho para uma eleição no primeiro turno.

Segundo a última pesquisa Quaest, divulgada nesta semana, o governador possui 41% das intenções de voto, contra 26% de Fernando Haddad no primeiro turno. Na sequência, aparecem Vera Lúcia (PSTU, 3% ), Carlos Machado (PCB, 1% ) e Vivian Mendes (UP, 1% ). O levantamento mostra também que 13% dos entrevistados estão indecisos. Os brancos e nulos representam 15% . A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

O discurso mais moderado para os padrões bolsonaristas e a ampla gama de legendas não são as únicas mudanças das versões 2022 e 2026 de Tarcísio de Freitas. As companhias também não são as mesmas. Enquanto há quatro anos figuras como Eduardo Bolsonaro eram vistas ao lado do agora governador, o mesmo não ocorre nesta fase. O filho mais novo do ex-presidente da República, que conseguiu emplacar um aliado seu na Secretaria da Segurança, caso do ex-secretário Guilherme Derrite, já não faz parte do grupo político do governador há tempos. Outros nomes, como Sonaira Fernandes (Políticas para Mulheres), Helena Reis (Esportes) e Roberto de Lucena (Turismo), todos bolsonaristas, também tiveram passagens pela gestão estadual, mas deixaram o governo.

Ausência de Kassab

Principal figura política da campanha anterior e do início do mandato, Gilberto Kassab não foi à convenção de Tarcísio no sábado. Pelas redes, o candidato a vice na chapa federal de Ronaldo Caiado (PSD) explicou o motivo.

"Minha ausência na convenção estadual dos Republicanos em São Paulo neste fim de semana não altera em nada o posicionamento, pessoal e partidário, em relação à nossa coligação estadual com vistas ao apoio à candidatura à reeleição do governador Tarcísio de Freitas. Sendo candidato a vice-presidente na chapa de Ronaldo Caiado, não quero causar constrangimentos por conta da presença no evento de outro candidato a presidente, apoiado por Tarcísio. Estamos firmes, trabalhando pela reeleição de Tarcísio" , afirmou Kassab, em suas redes.

A decisão de Kassab de não ir à convenção de Tarcísio ocorreu após o governador faltar ao evento estadual do PSD, que ocorreu na semana passada e precedeu a convenção nacional do partido, que selou a indicação de Caiado. O combinado era Tarcísio participar apenas do primeiro evento.

Porém, como mostrado O GLOBO , Kassab publicou nas redes sociais um convite para a convenção partidária que associava Tarcísio ao presidente Ronaldo Caiado. A postura gera mal-estar, uma vez que Tarcísio apoia o senador Flávio Bolsonaro (PL) para o mesmo cargo.

Apesar da ausência de ambos, o dirigente do PSD deve efetivamente apoiar Tarcísio nas redes sociais e em santos, com a sugestão de dobradinha “Caiado presidente, Tarcísio governador” . A integração em quadrinhos, por outro lado, é incerta, pois Flávio montou QG na capital paulista para estimular agendas públicas com o governador e isolar o rival.