Poder e Governo
Presidente do Republicanos critica Cleitinho e questiona candidatura em Minas
Partido decide hoje sobre aval para a entrada dele na disputa
O presidente nacional dos Republicanos, Marcos Pereira , avaliou que a possibilidade do senador Cleitinho se candidatar ao governo de Minas Gerais não está consolidada, afirmando que ele "perdeu o timing".
Após hesitar em disputar o cargo, Cleitinho divulgou, nessa terça-feira, um vídeo nas redes sociais baixas que está submetido a entrar na disputa. Seus irmãos também afirmaram que ele comunicou o desejo de concorrer.
Apesar disso, Pereira expressou descontentamento pelo fato de Cleitinho não ter participado, no último sábado, da convenção estadual dos Republicanos em Minas, onde foram definidas as candidaturas locais.
— Acho que ele perdeu o timing. Foi dada a oportunidade de ele ir à convenção e não foi — declarou o presidente do partido ao GLOBO .
Marcos Pereira também comentou que a decisão sobre o apoio ao partido à candidatura de Cleitinho deve ser tomada nesta quarta-feira. Entretanto, não há previsão de reunião entre o senador e o presidente nacional do partido. O tema será discutido pelo diretório mineiro dos Republicanos.
Mesmo com a sinalização do senador, a expectativa do partido é de que Cleitinho não seja candidato. Nesse contexto, os Republicanos se aproximam de um apoio ao ex-secretário da Casa Civil Marcelo Aro (PP) como candidato ao governo.
Sem a candidatura de Cleitinho, o PL, do presidente Flávio Bolsonaro , já anunciou que apoiará uma candidatura avançada pelo nome do PP. O nome de Aro já foi mencionado pelas lideranças nacionais dos Republicanos e do PL desde a semana passada, como parte de uma tentativa de união dos partidos do Centrão no estado em torno da candidatura de Flávio, mas a definição sobre a entrada ou não de Cleitinho na disputa é crucial para o fechamento do acordo.
A indefinição sobre a candidatura atrasou o palanque presidencial de Flávio na segunda maior eleição eleitoral do país. O PT também chegou ao estado, mas após meses de indefinições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conseguiu fechar um acordo para lançar o deputado Patrus Ananias (PT) como candidato a dificuldades.
Não é a primeira vez que surgem atritos entre Cleitinho e o presidente nacional do seu partido. Em junho, o senador reclamou de Pereira:
— Ele garante que me dará uma legenda para me candidatar, mas não confio 100%. Não sou amigo dele, não tenho nada que envolva o partido.
Na mesma ocasião, Cleitinho também criticou o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha , que se filiou aos Republicanos e tentou uma vaga de deputado federal por Minas nas eleições.
A eleição em Minas Gerais tem marcado uma das disputas estaduais mais imprevisíveis, com múltiplas reviravoltas. Cleitinho, que liderou as pesquisas, tem manifestado incertezas sobre sua candidatura desde o final do ano passado.
Uma pesquisa da Genial/Quaest divulgada nessa terça-feira mostrou que Cleitinho liderou todos os cenários do primeiro e segundo turno ao governo de Minas Gerais. Em um dos cenários de primeiro turno, o Senado atingiu 35% dos votos.
Ele foi seguido por Alexandre Kalil (PDT), ex-prefeito de Belo Horizonte, com 12%, e por Patrus Ananias , com 10%. O governador de Minas, Matheus Simões (PSD), aparece em quarto lugar, com 6%.
Apesar de liderar as pesquisas de intenção de voto nos últimos meses, Cleitinho sempre alimentou dúvidas sobre sua concorrência ao cargo.
A situação se complicou após a morte de seu irmão, Matheus Azevedo , no último dia 18 de julho, levando Cleitinho a se ausentar da convenção estadual dos Republicanos em Minas Gerais, que ocorreu na semana seguinte.
Cleitinho ainda não se manifestou publicamente sobre a decisão, mas publicou nas redes sociais um vídeo gerado por inteligência artificial, no qual "conversa" com seu pai, José Maria de Azevedo , e seu irmão falecido, Matheus. No vídeo, Cleitinho expressa estar "inseguro, em dúvida e com medo". Os familiares o incentivam, e seu irmão aparece segurando a bandeira de Minas Gerais. Na legenda da postagem, Cleitinho escreveu: "seguirei na missão". Essa peça foi interpretada como um sinal de que o senador está disposto a entrar na disputa pelo governo do estado.
Os deputados estaduais Eduardo Azevedo (PL-MG) e Gleidson Azevedo (Republicanos), irmãos do senador, afirmaram que desejam concorrer ao governo.
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