Poder e Governo

TSE divulga histórico da fabricação das urnas após nova ofensiva contra sistema eleitoral

Levantamento mostra que quatro empresas fabricaram equipamentos ao longo de 30 anos

Agência O Globo - 29/07/2026
TSE divulga histórico da fabricação das urnas após nova ofensiva contra sistema eleitoral
TSE

Um levantamento elaborado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que quatro empresas foram responsáveis ​​pela fabricação das urnas eletrônicas utilizadas no Brasil ao longo dos últimos 30 anos. Desde a adoção do voto eletrônico, em 1996, foram produzidos 1.487.115 equipamentos , distribuídos em 14 modelos diferentes, sempre a partir de um projeto desenvolvido pela própria Justiça Eleitoral e executado por empresas vencedoras de licitação.

O funcionamento das urnas eletrônicas voltou ao centro do debate político neste ano depois que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) , pré-candidato à Presidência da República, citou dados falsos sobre os equipamentos usados ​​para as eleições durante uma reunião com embaixadores estrangeiros na semana passada. As declarações motivaram uma representação apresentada ao TSE pela Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) , que acusa o parlamentar de divulgar desinformação sobre o sistema eleitoral.

De acordo com o TSE, o equipamento não é adquirido como um produto imediatamente disponível no mercado e o projeto pertence integralmente à Justiça Eleitoral, que estabelece todas as especificações técnicas e de segurança a serem seguidas pelos fabricantes.

Atualmente, os modelos mais recentes — UE2020 e UE2022 — são fabricados pela Positivo Tecnologia . Antes dela, a Diebold/Diebold Procomp produziu oito gerações de urnas, entre os modelos de 2004 e 2015. Já a Unisys Brasil foi responsável pela primeira urna eletrônica utilizada no país, em 1996, além do modelo de 2002. A Procomp Indústria Eletrônica fabricou os equipamentos lançados em 1998 e 2000.

Na semana passada, antes de uma placa de diplomatas, Flávio Bolsonaro publicou dados inverídicos sobre a atuação da empresa venezuelana Smartmatic no Brasil. A Smartmatic, entretanto, não fornece urnas eletrônicas para as eleições brasileiras. Há quase uma década, em 2017, quando uma informação falsa começou a viralizar nas redes pela primeira vez, o TSE publicou uma nota a desmentindo.

“As urnas eletrônicas brasileiras foram projetadas por técnicos a serviço da Justiça Eleitoral e são produzidas, sob a sua direta diretamente, por empresas selecionadas por meio de processos licitatórios públicos e de ampla concorrência”, disse a nota do TSE.

No levantamento, o TSE destaca que a troca de fabricantes ao longo dos anos ocorre por meio de processos licitatórios. A empresa vencedora passa a produzir um equipamento concebido anteriormente pelo TSE, seguindo um edital que reúne mais de 500 páginas de requisitos técnicos e de segurança. Após a aprovação do protótipo, toda a etapa de fabricação e testes é acompanhada por servidores e técnicos da Justiça Eleitoral.

Desde 1996, as urnas eletrônicas passaram por sucessivas atualizações de hardware e software, mantendo, segundo o TSE, uma arquitetura de segurança desenvolvida no Brasil e de propriedade exclusiva da Justiça Eleitoral.