Poder e Governo
Superpresídio, crime organizado e maioridade penal: Caiado, Zema e Renan miram na segurança para alavancar candidaturas
Propostas para o combate à criminalidade ganharam projeção nos discursos realizados durante as convenções partidárias dos candidatos da direita
Em disputa pelo voto dos eleitores de direita com o senador Flávio Bolsonaro (PL), os presidenciáveis Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) focaram na discussão sobre segurança pública no lançamento de suas campanhas nas últimas semanas. Descrito como a principal preocupação dos brasileiros nas pesquisas de intenção de voto, o tema também tem se tornado alvo de disputas entre os nomes que buscam rivalizar com o bolsonarismo e se contrapor ao governo Lula.
O tema foi explorado por Zema na última segunda-feira, durante a convenção nacional do Novo. Na ocasião, o ex-governador disse que, caso eleito, construirá um "superpresídio" de segurança máxima em uma região remota da Amazônia para isolar lideranças criminosas por "pelo menos 25 anos". A medida é inspirada no modelo de "encarceramento em massa" criado pelo presidente Nayib Bukele em El Salvador , visitado pelo mineiro no ano passado.
A proposta também inclui a nomeação das visitas íntimas e das "saidinhas" temporárias, acrescentou o ex-governador em entrevista ao Metrópoles . Paralelamente, Zema também se propôs a favor da classificação das facções brasileiras como organizações terroristas. Aplicado pelo governo dos Estados Unidos ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho , o rótulo tem sido defendido pela campanha de Flávio, que articulou pela medida durante uma visita do senador à Casa Branca em maio.
O anúncio, no entanto, foi criticado pelo Planalto, que considera a medida como uma tentativa de interferência estrangeira e uma ameaça à soberania nacional. A resposta do governo foi rechaçada pela direita, que acusa a gestão federal de não atuar no combate ao crime organizado.
— Quero que o Brasil retome a soberania que estamos perdendo. Tem gente falando que [o Brasil] está perdendo soberania porque os Estados Unidos enquadraram facções como terroristas. O Brasil é que já deveria ter feito isso há muito tempo — disse o ex-governador mineiro durante o encontro partidário do Novo.
O assunto também foi discutido por Caiado durante a convenção nacional do PSD no último domingo. Em entrevista coletiva antes de subir ao palco, o goiano afirmou que, para concorrer ao Planalto, o candidato à presidência precisa de “independência moral” e de “coragem para libertar o país do sequestro do PT e das facções”.
O ex-governador também repetiu o mote "comigo, bandido não se cria", já usado por ele em vídeos de divulgação da candidatura, e propôs o confisco de bens de condenados por violência contra mulheres. Desde o início da pré-campanha, o ex-governador tem usado lema de combate ao feminicídio para entrar na discussão sobre segurança pública.
— Vou avançar mais: vou iniciar no nosso mandato algo inédito. Você confiscará o patrimônio do agressor e transferirá para a mulher e seus filhos. Aí, além da pena que será dura — não terá diminuído da pena —, o patrimônio dele também será transferido para a vítima, para a mulher que ali foi agredida — afirmou Caiado.
O confisco de bens de criminosos também virou proposta de campanha de Renan Santos, que prevê a aplicação da medida para faccionados. Além disso, ele tem defendido o endurecimento das penas, a federalização de todos os casos relacionados às facções, o tratamento do combate ao narcotráfico como uma questão de segurança nacional e a realização de instruções em estados controlados por organizações criminosas.
“Desde o primeiro dia do governo, estaremos em campanha contra o crime organizado, utilizando os mecanismos da GLO [Garantia da Lei e da Ordem] e do Estado de Defesa para romper o controle territorial das facções”, afirma o candidato em seu plano, divulgado na semana passada, no dia seguinte à convenção nacional da Missão. O encontro partidário precisou ser antecipado e realizado às pressas para que, segundo o candidato, ele passasse a ter acesso à escolta da Polícia Federal para a prevenção das ameaças recebidas por ele.
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