Poder e Governo
Insistência do PL em vice do Centrão deve adiar definição até as convenções
União Brasil, PP, Republicanos e Podemos optam pela neutralidade, enquanto Flávio busca tempo para formar aliança.
A decisão do entorno do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de contar com uma candidata a vice de um partido do Centrão deve pressionar a definição do cargo para próximos ao prazo final de registro de candidaturas. A convenção que lançou o senador como candidato a presidente ocorreu no último sábado, mas sem a escolha de sua colega de chapa.
Flávio e articuladores de sua campanha já manifestaram preferência por uma mulher como vice. A estratégia é aproveitar todo o prazo disponível para as convenções partidárias, que se estende até o dia 5 de agosto, para tomada de decisão.
A federação formada pelos partidos União Brasil e PP já informou a Flávio que adotará neutralidade e se recusou a entrar na coligação do senador. De forma semelhante, o Republicanos buscou acordos estaduais com o PL em troca de apoio a Flávio em nível nacional, mas as negociações não avançaram, e a tendência também é pela neutralidade.
O PL está avaliando algumas opções internas para a vice, incluindo as deputadas Júlia Zanatta (SC), Priscila Costa (CE) e Bia Kicis (DF).
Kicis demonstrou preferência por disputar o Senado no Distrito Federal, enquanto Zanatta e Costa mostraram maior disposição para assumir a vice de Flávio.
Apesar dessas opções, Flávio e integrantes do PL pretendem continuar buscando alianças e se recusam a decidir antecipadamente que a candidata a vice será necessariamente do PL. A intenção é utilizar todo o tempo disponível para tentar formar uma aliança com outro partido.
Entre os nomes cogitados para a vice de Flávio estavam a ex-presidente da Caixa Daniella Marques (Republicanos) e a senadora Tereza Cristina (PP-MS).
Entretanto, além das dificuldades em fechar uma aliança com os Republicanos, a escolha de Marques encontra resistência dentro do PL. O presidente do partido, Valdemar Costa Neto, já afirmou que ela não traria votos para a chapa e que Tereza teria um perfil político que somaria mais à campanha de Flávio.
Mesmo assim, Tereza Cristina se reuniu com Valdemar e comunicou que não aceitará ser vice, uma vez que seu partido optou pela neutralidade.
A presidente do Podemos, deputada Renata Abreu (SP), também foi mencionada como opção a vice por alguns membros do PL, mas o partido também vê essa possibilidade como improvável. O Podemos prefere manter a neutralidade, já que apoia o PT em alguns estados.
A convenção nacional do Republicanos está marcada para o dia 4 de agosto, enquanto a da federação União-PP deve ocorrer no dia 5, a última data do prazo. Apesar de não terem divulgado publicamente sua posição nas eleições, os comandos das três legendas afirmam que é improvável que a decisão pela neutralidade seja revertida.
Uma reconciliação entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, após semanas de trocas de acusações públicas e queixas de Michelle sobre o reconhecimento de sua importância política, é vista por aliados de Flávio como um aspecto positivo e um possível caminho para agregar novos apoios.
Entretanto, integrantes de partidos do Centrão avaliam que essa reaproximação diz respeito apenas a assuntos internos do grupo bolsonarista e não afeta a busca por aliança a nível partidário.
A relação próxima entre Flávio e Daniel Vorcaro, envolvido em um escândalo de fraude financeira no banco Master, gerou resistência dos partidos do Centrão em apoiar o candidato do PL.
O presidente do PP, Ciro Nogueira, que já foi alvo de uma operação da Polícia Federal que investigou a utilização de seu mandato para beneficiar Vorcaro, é um dos principais responsáveis pelo afastamento.
O dirigente nega irregularidades e se queixa a aliados sobre a maneira como Flávio tratou o episódio da operação da PF, optando por um distanciamento político.
Com o cenário de enfraquecimento de Flávio, os partidos que anteriormente avaliavam apoiar sua candidatura agora pretendem deixar cada estado livre para construir alianças com projetos presidenciais que mais beneficiem suas legendas na eleição para deputado.
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