Poder e Governo
Sem Michelle na convenção, Flávio deve citar madrasta em discurso e pretende gravar vídeo conjunto
Ex-primeira-dama manteve decisão de não ir a evento em São Paulo por conta da rotina de Bolsonaro em prisão domiciliar
Sem a presença de Michelle Bolsonaro na convenção nacional do PL, o senador Flávio Bolsonaro pretende citar nominalmente a madrasta durante o discurso em que será oficializado candidato ao Palácio do Planalto. A menção representa um gesto significativo para consolidar a reconciliação entre os dois e conter a crise instalada na pré-campanha diante dos atos públicos.
A ausência de Michelle já era esperada pelos aliados no evento de sábado, em São Paulo. Ela permanecerá em Brasília para acompanhar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar e tem sua rotina monitorada diariamente pela esposa.
Nos bastidores, aliados de Flávio avaliam que a ausência pode ser compensada por meio da fala do senador.
O gesto, no entanto, não deve encerrar a operação de pacificação. Segundo interlocutores envolvidos nas negociações, a campanha trabalha para que Flávio e Michelle gravem, nos próximos dias, um vídeo conjunto para as redes sociais.
A expectativa é que isso ocorra em 2 de agosto, durante a convenção do PL no Distrito Federal, que deverá marcar a primeira agenda pública dos dois lados a lado desde o início da crise. Os dados, porém, ainda dependem de ajustes na agenda de ambos.
A gravação é tratada por aliados como a etapa final de uma estratégia construída ao longo da última semana para demonstrar publicamente que o conflito foi superado. A avaliação dentro do partido é que, após o pedido de desculpas de Flávio e a resposta positiva de Michelle, uma ajuda conjunta ajudou a evitar a percepção de divisão no bolsonarismo e reduzir os danos provocados pela crise junto ao eleitorado feminino e evangélico.
Na quinta-feira, Flávio divulgou um vídeo em que pedia desculpas à madrasta pelos "momentos que causaram desconforto", afirmou que ela "precisa ser reconhecida e respeitada" e fez um apelo para que participasse da campanha presidencial.
— O momento é difícil para todo o mundo. Ninguém é perfeito, eu não sou perfeito, e mais uma vez peço desculpas por alguns momentos que causaram desconforto. Nunca foi minha intenção desrespeitar ninguém, ainda mais a esposa do meu pai — afirmou.
Poucas horas depois, Michelle respondeu afirmando que aceitava o pedido de perdão.
— Flávio, eu assisti seu vídeo e recebi suas palavras com muita paz. Quero te agradecer por sua sinceridade. Todos nós cometemos erros, isso é humano. Eu aceito o seu pedido. Eu te desculpo.
A troca de vídeos foi resultado de uma articulação liderada por dirigentes do PL, aliados da ex-primeira-dama e integrantes da campanha presidencial. A avaliação predominantemente era de que manteria uma crise aberta às vésperas da convenção nacional colocava em risco a estratégia eleitoral de Flávio, sobretudo pela influência de Michelle entre mulheres, evangélicos e parte do eleitorado conservador.
O rompimento entre os dois veio a público em junho, após divergências sobre a estratégia do partido no Ceará. Michelle afirmou ter sido "maltratada", "humilhada" e "apunhalada" pelo enteado durante uma discussão sobre as articulações locais. Após a crise, deixou o comando do PL Mulher e foi retirado da campanha presidencial. O pedido de desculpas foi uma exigência de Michelle para se reaproximar.
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