Poder e Governo

No Brasil, deputado italiano que denunciou paradeiro de Zambelli diz que ela sumiu

Angelo Bonelli informou o endereço da parlamentar para as autoridades do país no ano passado, quando ela chegou a ser presa pela Interpol

Agência O Globo - 23/07/2026
No Brasil, deputado italiano que denunciou paradeiro de Zambelli diz que ela sumiu
Carla Zambelli - Foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados

O deputado italiano Angelo Bonelli, afirmou nesta quarta-feira que, atualmente, ninguém sabe onde ela está. Na avaliação dele, ela estaria esperando as eleições presidenciais brasileiras deste ano, em outubro, na expectativa de que uma vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) possa trazê-la de volta.

Entenda:

Eleições:

— A última vez que a Carla Zambelli foi vista em público foi numa igreja em Roma, num encontro de apoio a ela — disse Bonelli, durante agenda na Câmara Municipal de São Paulo, conforme divulgado pelo portal UOL. — Se o (Flávio) Bolsonaro ganhar, pode ser que o governo futuro pense em fazer uma anistia para quem cometeu crime, como a Carla Zambelli — completou.

Bonelli também assumiu a "responsabilidade pública" da deputada enquanto parlamentar eleito, alegando não ser "uma postura boa" se eximir de cumprir as determinações judiciais do Brasil.

— Quando uma pessoa foge da Justiça, não é uma postura boa, especialmente quando essa pessoa tem uma responsabilidade pública — disse o italiano.

No Brasil, Bonelli, que é ativista ambiental, se reuniu com representantes do Partido Verde (PV) para discutir questões relacionadas ao meio ambiente, à sustentabilidade e às mudanças climáticas. Segundo a Câmara Municipal, o encontro foi idealizado pelo vereador Roberto Tripoli (PV).

Culto na

A última aparição de Zambelli ocorreu no último dia 11, quando ela, como mostrada ao GLOBO. Na ocasião, em discurso emocionado no púlpito, ela orou pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e pelos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

Em outro momento, Zambelli também agradeceu o apoio dos senadores Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Eduardo Girão (Novo-CE), Magno Malta (PL-ES) e Damares Alves (Republicanos-DF), que fizeram "cruzado o Oceano Atlântico" para visitá-la na prisão.

— Hoje, graças a Deus, não tenho raiva no meu coração. Eu oro para que Deus tenha misericórdia daquelas almas que hoje fazem injustiça, que prendem e perseguem. Porque, se eles se arrependerem e mudarem o caminho, ainda serão dignos da justiça e da salvação de Deus. Que Deus possa fazer milagres na vida de cada um dos presos de 8 de janeiro e na vida do nosso presidente Bolsonaro — disse Zambelli.

O discurso foi feito divulgado nas redes sociais pelo perfil do grupo religioso e também por Rita Zambelli, mãe da ex-parlamentar e pré-candidata a deputada federal pelo PL em São Paulo. Segundo ela, o evento se tratou de um "Culto em Ação de Graça" dedicado à liberdade de Carla.

Situação na tão

No final de maio, a Corte de Cassação da Itália, o equivalente ao Supremo Tribunal Federal do país europeu, revogou a decisão que havia autorizado a extradição do ex-deputado, que também tinha a liberdade concedida.

A decisão foi expedida na mesma semana em que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou que o Ministério da Justiça e o Itamaraty adotassem medidas para efetivar a extradição do bolsonarista, justamente em razão da decisão da Corte de Roma favorável ao procedimento.

Ambas as decisões têm relação com a primeira publicada pelo STF a Zambelli, no caso da invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Em tal processo, a ex-deputada foi condenada a dez anos de prisão.

De acordo com a defesa de Zambelli, a decisão da Corte de Cassação abrange os dois processos em que foi pedida a sua extradição, atingindo portanto o pedido relacionado à segunda notícia do ex-parlamentar, por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal.

A deputada bolsonarista, que tem cidadania italiana, deixou o Brasil em maio do ano passado, passando pelos Estados Unidos antes de se mudar para o país europeu. Dois meses depois, ela foi presa e afirmou que queria ser julgada na Itália.

Em dezembro, a Câmara dos Deputados rejeitou a cassação de Zambelli, em uma tentativa de preservar seu mandato. O Supremo Tribunal Federal, no entanto, anulou a votação promovida pelos parlamentares, decretando diretamente a cassação em razão da notificação do bolsonarista à prisão.

Durante o processo de extradição corrigida na Itália, a Justiça daquele País decidiu manter uma ex-deputada detida na penitenciária feminina de Rebibbia, em Roma, por entender que havia risco de fuga. Segundo o governo brasileiro, caso seja extraditado, um ex-parlamentar vence na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia.