Poder e Governo
Entenda o contrato da Smartmatic e as fake news sobre urnas
Senador citou informação desmentida desde 2017, que vincula uma empresa às máquinas de votação no Brasil
A empresa Smartmatic não é fornecedora das urnas eletrônicas utilizadas no sistema de votação do Brasil. Essa informação falsa, desmentida pelo Tribunal Superior Eleitoral ( TSE ) desde 2017, começou uma circular entre grupos bolsonaristas e redes sociais a partir de uma publicação do blogueiro economista Rodrigo Constantino e voltou à tona nesta terça-feira (21), quando o pré-candidato à Presidência pelo PL relatou o assunto em reunião com embaixadores.
Em discurso durante o evento, o senador expressou suspeitas infundadas sobre as urnas eletrônicas, retomando um discurso adotado em 2022 por seu pai, Jair Bolsonaro . O ex-presidente acabou declarado inelegível por fazer comentários semelhantes, igualmente falsos, embaixadores.
A Smartmatic foi fundada em 2000 no estado americano da Flórida, como uma empresa de cibersegurança no setor de Internet das Coisas (IoT). Nos anos seguintes, foram relatadas atuações na segurança do sistema bancário do México e desenvolvidas patentes que viriam a formar uma base para equipamentos eleitorais produzidos internamente. Em 2003, a empresa lançou sua primeira urna eletrônica, que foi utilizada nas eleições na Venezuela entre 2004 e 2017. Neste último ano, a Smartmatic anunciou o fim do vínculo, alegando que os resultados anunciados não eram compatíveis com o que as máquinas registravam.
Em comunicado da época, a empresa afirmou: "É com profundo pesar que comunicamos que os resultados da eleição da Assembleia Constituinte realizada no domingo, 30 de julho na Venezuela , foram adulterados".
Rodrigo Constantino rompeu com o clã após a confirmação da pré-candidatura de Flávio e a revelação de seu elo com Daniel Vorcaro , dono do Banco Master. Em 2017, contudo, ele era uma das principais vozes pró-bolsonarismo na web, fazendo informações circulares sobre uma suposta atuação suspeita da Smartmatic com urnas eletrônicas brasileiras.
Após a publicação em que o blogueiro questionava a inviolabilidade das urnas no Brasil, o TSE ressaltou que as máquinas de votação foram projetadas por técnicos a serviço da Justiça Eleitoral e produzidas sob sua direta coordenação, por empresas selecionadas em licitações públicas de ampla concorrência.
Na mesma ocasião, o TSE esclareceu que o contrato firmado com a Smartmatic — citado por Constantino e repetido por Flávio — tinha como objetivo o recrutamento, a contratação e o treinamento de cerca de 14 mil profissionais para atividades exclusivamente voltadas ao suporte técnico-operacional das eleições de outubro de 2014. A Corte explicou que esses profissionais atuaram no preparo e na manutenção das urnas, garantindo que todas estivessem operacionais na data do pleito.
"Portanto, em nenhum momento a Smartmatic atuou na programação das urnas eletrônicas, como foi inferido pelo autor da nota", reafirmou o TSE em 2017.
Uma auditoria solicitada pelo PSDB sobre os resultados das eleições de 2014 não encontrou quaisquer irregularidades que comprometessem a fidedignidade da vitória atestada nas urnas da então presidente Dilma Rousseff (PT) sobre o tucano Aécio Neves.
As empresas que forneceram urnas eletrônicas no Brasil desde o primeiro modelo foram Unisys (1996), Procomp Indústria Eletrônica Ltda (1998), Diebold (2000), Unisys (2002) e Diebold novamente (2004, 2006, 2008, 2009, 2010, 2011, 2013 e 2015), conforme destacou o g1.
A Smartmatic chegou a participar de uma licitação para fabricar urnas para as eleições de 2020, mas perdeu a disputa para uma concorrente. A empresa celebrou contratos com o TSE em outras ocasiões para a prestação de serviços de conexão de dados e voz — nunca para a programação ou operação de urnas eletrônicas.
Novos desmentidos da informação mencionada por Flávio foram publicados pelo TSE em ciclos eleitorais seguintes, como em 2020 e 2022. Questionado nesta terça-feira, o TSE reafirmou não haver relação entre a programação das urnas e a empresa.
O sistema eletrônico de votação do Brasil utiliza meios próprios e criptografados de comunicação e transmissão de dados, sem qualquer contato com redes públicas, como a internet. Ao longo de mais de 20 anos, o sistema foi reiteradamente testado e provado isento de quaisquer formas de manipulação ou fraude, segundo a Justiça Eleitoral.
Com o avanço das novas tecnologias, o sistema passa por testes regulares acompanhados por entidades da sociedade civil, partidos políticos e cidadãos. Inovações, como a incorporação do sistema biométrico de identificação de eleitores nos últimos anos, reforçaram a garantia da individualidade do eleitor e a unicidade do voto, impedindo fraudes de inscrições como as que foram denunciadas em 2017 no pleito da Venezuela .
Mais lidas
-
1ECONOMIA
6 estratégias para humanizar a gestão e acelerar os resultados de vendas
-
2TECNOLOGIA E INOVAÇÃO
IT Forum abre edição de 35 anos com aposta em ecossistemas como nova força da inovação
-
3ECONOMIA | AGRONEGÓCIO
Rafael Tenório anuncia novo investimento em Palmeira dos Índios e aposta no potencial do agro da região
-
4EMPREENDEDORISMO
Lula Cabeleira investe em novo shopping de Juazeiro do Norte e reforça aposta no potencial econômico da cidade
-
5SEGURANÇA PÚBLICA
Tornado atinge o Rio Grande do Sul e deixa feridos