Poder e Governo
Salles nega ser 'burrinho de presépio' de Bolsonaro e critica Flávio
Pré-candidato ao Senado pelo Novo elogia ex-presidente, mas pondera: 'Não sou obrigado a concordar com tudo'
O deputado federal Guilherme Salles (Novo-SP), pré-candidato ao Senado por São Paulo, disse nesta segunda-feira ter "admiração" e "gratidão" por Jair Bolsonaro (PL), mas ressaltou não ser "obrigado a concordar com tudo". Ex-ministro do Meio Ambiente no governo do ex-presidente, ele deseja o apoio do clã para integrar a chapa encabeçada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), após ser preterido pelo presidente da Assembleia Legislativa (Alesp), André do Prado (PL), que contornou com o aval do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL).
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— Eu apoio o presidente Bolsonaro. Ele fez um grande trabalho como presidente e foi corajoso. Tenho grande gratidão e admiração por ele. Mas eu não sou um burrinho de presépio. Só porque fui ministro do Bolsonaro não sou obrigado a concordar com tudo — disse Salles, em entrevista ao UOL e à “Folha de S. Paulo”, ao ser questionado se ainda se considera bolsonarista após a desavença.
Em seguida, Salles afirmou que, caso Bolsonaro pudesse concorrer às eleições, ele seria “seu apoiador da última hora”.
— Mas eu ainda digo tranquilamente: se o presidente Bolsonaro fosse o candidato à Presidência da República, eu seria um apoiador da primeira a última hora da candidatura dele — completou.
'Eduardo é o melhor candidato que Flávio'
O acirramento do atrito entre Salles e o campo político do ex-presidente ocorreu em maio deste ano, partindo da insatisfação com a indicação de Prado. A escolha teria atendido a um desejo do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e recebeu o endosso de Eduardo, que ficará como suplente após deixar o país para morar nos Estados Unidos.
Salles, que teria sido nomeado "ao centrão fisiológico", ressaltou que Eduardo seria um candidato melhor à Presidência da República do que o senador Flávio Bolsonaro (PL), que já recebeu o aval do pai para concorrer ao Palácio do Planalto.
— O presidente Bolsonaro é uma coisa, os filhos são outra. Eu entendo e deixo claro aqui: Se fosse para escolher um filho de Bolsonaro para ser candidato, o melhor era o Eduardo. É o mais preparado, tem uma visão política mais aguçada — afirmou Salles. — Eduardo é melhor candidato que Flávio. A Michelle, então, melhor ainda — completou.
O deputado justificou sua opinião dizendo que Flávio "é do jogo" por dialogar com o Centrão, ao contrário de Eduardo, que "tem melhor postura e é mais combativo". Segundo Salles, o senador carioca também teria sido omisso ao não se posicionar contra as “divisões dentro da direita”, o que teria permitido o ataque de seus apoiadores a outros nomes do campo político.
Como exemplo, Salles lembrou a situação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro . No mês passado, após discordar de suas políticas articulares para a construção de palácios estaduais com ex-adversários. O caso gerou desgastes na pré-campanha do senador.
— O Flávio poderia, na qualidade de candidato a presidente, dar um cala-boca e dizer: 'Tá todo mundo proibido de criar essas divisões dentro da direita'. Ele se omitiu em relação aos ataques que foram feitos a Michelle e a várias outras coisas — avaliou Salles. — Se não fez progresso, pelo menos do ponto de vista de missão, de fato, há uma participação dele nisso — completou.
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