Poder e Governo

'Green card' para Eduardo Bolsonaro nos EUA teve 'habilidades extraordinárias' como justificativa

Documento permite que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro passe a viver nos Estados Unidos por tempo indeterminado

Agência O Globo - 21/07/2026
'Green card' para Eduardo Bolsonaro nos EUA teve 'habilidades extraordinárias' como justificativa
Eduardo Bolsonaro - Foto: © AP Photo / Jose Luis Magana

Aliado da família Bolsonaro, o jornalista Paulo Figueiredo afirmou que o Green Card concedido aos Estados Unidos ao ex-deputado federal teve "habilidades extraordinárias" como justificativas. O documento permite que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) passe a viver no território por tempo indeterminado, sem necessidade de autorizações especiais para trabalhar ou estudar, por exemplo, no país.

'Pagamento pela':

Rio:

“Parabéns Eduardo pela obtenção da residência permanente (“Green Card”) nos EUA como indivíduo de habilidades extraordinárias.

O visto de residência permanente é um documento que se outorga aos imigrantes autorizados a permanecerem indefinidamente no país. A obtenção de um visto desse tipo pode levar décadas e exigir um processo meticuloso.

A informação sobre a documentação foi noticiada pela Folha de S. Paulo na segunda-feira e divulgada pela GLOBO .

Figueiredo afirma que o pedido da documentação ocorreu há mais de um ano. O visto, no entanto, foi concedido apenas neste mês após Eduardo comprovar o cumprimento dos requisitos pré-determinados para obtenção do documento.

Após a concessão do visto permanente, Eduardo disse à coluna Igor Gadelha, do Metrópoles , que se sente "seguro" nos Estados Unidos.

— Só tenho a agradecer ao governo Trump pela consideração. Segui o processo, atendendo aos critérios e agora chegou o resultado. Eu vim para os EUA para passar apenas alguns dias e acabei tendo que me exilar aqui por conta da perseguição no Brasil. Sinto-me seguro, pois aqui os abusos de Alexandre de Moraes (ministro do Supremo Tribunal Federal) não valem de nada — afirmou.

A concessão ocorre em meio à tensão entre Brasil e Estados Unidos diante das novas tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos sobre uma série de produtos brasileiros. O movimento do governo de Donald Trump culminou nas críticas do secretário de estado Marco Rubio contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e sua equipe. Segundo o americano, o petista “colocou seu próprio ego acima da possibilidade de fechar um acordo em benefício do bem-estar do povo brasileiro”.

No mês passado, Eduardo foi acusado de coagir magistrados e avaliações articuladas junto ao governo dos Estados Unidos contra o Judiciário brasileiro. Ele foi acusado de tentativa de inviabilizar o julgamento da trama golpista, ocasião em que Jair Bolsonaro, seu pai, foi condenado a 27 anos de prisão.

O STF impôs uma pena de quatro anos e dois meses de prisão a Eduardo, em regime inicial semi-aberto, assim como uma multa de 100 mensais-mínimos. O colegiado ainda determinou a inelegibilidade imediata do ex-deputado por 8 anos, a partir da data do fim da pena.

Moradia nos EUA

Eduardo está fora do Brasil desde fevereiro do ano passado. Ele entrou nos Estados Unidos como um visto de turista, o que lhe permitiu seguir em solo americano por cerca de seis meses. O ex-parlamentar alegava supostas perseguições do Judiciário brasileiro.

Para driblar as limitações do visto que possuía até então, o bolsonarista dizia à época que pretendia solicitar asilo político ao governo Trump, já que esta é uma forma de conseguir o green card. Naquele momento, Jair Bolsonaro.

A previsão de aliados, à época, era a de que o filho 03 do ex-presidente retornaria ao Brasil em julho ou agosto deste ano, próximas às eleições, para disputar o Senado por São Paulo ou compor uma chapa à Presidência com o apoio do pai.

Desde então, Eduardo teve o mandato parlamentar cassado por faltas e perdeu a carga pública como escrivão da Polícia Federal.