Poder e Governo

PL oficializa candidatura de Flávio sem vice diante de impasse com Republicanos e disputa interna na legenda

Campanha deixará definição para depois da convenção nacional, que ocorre neste sábado

Agência O Globo - 21/07/2026
PL oficializa candidatura de Flávio sem vice diante de impasse com Republicanos e disputa interna na legenda
Flávio Bolsonaro - Foto: © telegram SputnikBrasil

O PL oficializará neste sábado, durante sua convenção nacional, em São Paulo, a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (RJ) à Presidência da República sem anunciar quem ocupará a vaga de vice em sua chapa. A decisão reflete um duplo impasse enfrentado pelo presidente: as negociações ainda inconclusas com os Republicanos e uma disputa interna na própria legenda sobre o nome que deve compor a chapa.

— A princípio, não será anunciado — disse o coordenador da campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN), ao ser questionado sobre a escolha do vice.

A estratégia da campanha é manter a vaga aberta após a convenção e deixar a definição para até 5 de agosto , prazo final previsto pela Justiça Eleitoral para a realização das convenções partidárias. O mecanismo permite que ata permaneça aberta e que a Executiva Nacional do partido conclua posteriormente a composição da chapa, preservando espaço para novas alianças.

Nos bastidores, aliados da presidência afirmam que a indefinição decorre de dois fatores. O primeiro envolve as conversas com os Republicanos , considerado hoje o principal aliado que ainda pode integrar formalmente a chapa presidencial. O segundo é a falta de consenso dentro do PL sobre quem deve ocupar o vice, disputa que ganhou força nas últimas semanas e expôs divergências entre diferentes alas do partido.

A economista Daniella Marques , ex-presidente da Caixa Econômica Federal, segue entre os nomes mais cotados. Filiada aos Republicanos neste ano, ela se mudou de Flávio ao longo da pré-campanha e passou a atuar na elaboração de propostas econômicas e de políticas voltadas ao eleitorado feminino. Na semana passada, participou ao lado do senador de uma transmissão para apresentar medidas destinadas às mulheres, como a criação de vouchers para creches e linhas de microcrédito.

Sua eventual indicação, porém, está diretamente ligada ao avanço das negociações entre os dois partidos. Os Republicanos condicionam uma aliança nacional à resolução de impasses estaduais e cobram apoio do PL em quatro estados considerados estratégicos. Até o momento, apenas o Espírito Santo tem acordo fechado, com o apoio do ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini .

Além da negociação com os Republicanos, Daniella enfrentou resistências dentro do próprio PL. Em entrevista ao GLOBO na semana passada, o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto , afirmou que uma economista reúne qualidades técnicas, mas não agregaria votos suficientes à chapa presidencial.

— O problema dela é que ela não tem voto, mas tem uma imagem muito boa, uma pessoa muito competente. Precisamos de voto, isso é que vai ser uma guerra. Depende do que eles decidirem. O que decidirem está decidido — afirmou.

Valdemar também defendeu a senadora Tereza Cristina (PP-MS) como o nome ideal para ocupar a vice-presidência.

As declarações evidenciaram uma disputa. Enquanto um grupo avalia que Daniella poderia ajudar Flávio a melhorar sua interlocução com o mercado financeiro e reduzir sua exclusão entre o eleitorado feminino, outra ala sustenta que a vaga deve ser destinada a uma liderança com maior densidade eleitoral e capacidade comprovada de transferência de transferência.

Além de Daniella e Tereza, as deputadas Simone Marquetto (PP-SP) e Clarissa Tércio (PP-PE) são cotadas. A hipótese de uma aliança com elas, porém, perdeu força, uma vez que a federação União-PP tem indicado que irá declarar neutralidade na corrida presidencial.