Poder e Governo
PSD do Rio oficializa candidatura de Paes, que chama governos anteriores de ‘organização criminosa’
Chapa conta com Jane Reis (MDB) na vice e Pedro Paulo (PSD) e Benedita da Silva (PT) para o Senado; segundo ex-prefeito, segurança pública será blindada de influência política
O PSD oficializou na manhã desta segunda-feira, em convenção, a candidatura de Eduardo Paes ao governo do Rio. Na cerimônia, que contou com dirigentes dos partidos da aliança, o ex-prefeito carioca disse que o estado vive o pior momento de sua história, “fruto de uma crise política e institucional sem precedentes”.
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— A responsabilidade por tudo isso é do grupo político que tomou de assalto o estado há oito anos. Governador cassado, presidente da Alerj preso por ligação com o crime organizado, com o Comando Vermelho. Talvez o certo não seja chamar de grupo político, mas de organização criminosa — afirmou.
Ao abordar a segurança pública, Paes sentenciou que "o tempo em que o estado se acovardava acabou". Também deu um recado à classe política.
— O estado vai voltar a mandar no seu território, porque temos coragem, capacidade e inteligência para vencer essa minoria de delinquentes que atormenta nossas famílias — alegou. — Teremos uma polícia guiada por evidências, não por política. A Alerj não vai mais mandar na segurança. Os deputados não vão mais indicar delegados. Que esse recado fique muito claro a todos que fazem política.
Na convenção, o PSD também formalizou a advogada Jane Reis (MDB) como vice da coligação. Ela é irmã do ex-prefeito de Duque de Caxias Washington Reis, presidente estadual do MDB, e tia do atual prefeito, Netinho Reis. O município é o segundo maior colégio eleitoral do estado, atrás apenas da capital.
Já o deputado federal Pedro Paulo, que comanda o PSD estadual, foi anunciado como postulante ao Senado. A outra concorrente a uma cadeira na Casa pela aliança de Paes é a deputada Benedita da Silva, do PT.
— Os três senadores que estão lá hoje são de um partido (PL) que não ajudou o Rio quando o presidente da República era aliado, e ajuda muito menos agora que é um adversário. Não esperem de mim ideologias. Vou estar em Brasília defendendo o Rio de Janeiro — afirmou Pedro.
Histórico de candidaturas
Será a terceira vez de Paes como candidato ao governo do Rio. A primeira se deu em 2006, ainda desconhecido do eleitorado, antes de virar prefeito. Na segunda, em 2018, já com dois mandatos à frente da capital, liderou as pesquisas, mas acabou surpreendido pela onda bolsonarista e perdeu para o azarão Wilson Witzel, ex-juiz.
Agora, chega à disputa com mais um mandato e meio de prefeito e encara um cenário em que o principal grupo adversário, representado pelo PL, enfrenta crises em série. Ainda sem decolar nas sondagens, o presidente da Assembleia Legislativa, Douglas Ruas, foi comunicado no fim de semana da desistência do então vice da chapa, o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa (PP).
Com a saída dele, a federação composta por PP e União Brasil discute adotar neutralidade no Rio, abandonando a aliança com o PL. O movimento interessa a Paes, que mantém interlocução com quadros do partido de Lisboa.
Paes conta, além do MDB, com o apoio de PT, PSB, PDT, PSDB, Solidariedade, Podemos e outros partidos menores. Representantes das siglas participaram da convenção.
Prefeitos de diversos municípios também marcaram presença. Segundo o carioca Eduardo Cavaliere (PSD), ex-vice de Paes, o governo Cláudio Castro (PL) “mais envergonhava do que orgulhava” o estado.
— O que o eleitor deseja de nós não é continuidade. É mudança, é transformação — disse.
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