Poder e Governo
Zema classifica como 'perseguição política' decisão de Moraes que suspendeu visitas de Flávio a Bolsonaro
Ex-governador de Minas também voltou a subir o tom contra o Supremo e mencionou carta escrita por Lula no período em que estava detido
O ex-governador de Minas Gerais, (Novo), caracterizou como "perseguição política" a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) que suspendeu as visitas feitas ao senador (PL-RJ) ao ex-presidente (PL). Em entrevista à rádio CBN em Santos (SP) nesta terça-feira, o pré-candidato à Presidência também disse que a atuação da Corte é "disfuncional" e lembrou as cartas enviadas pelo presidente (PT) no período em que estava preso, estratégia também usada por aliados bolsonaristas desde ontem.
— Ministro do Supremo em qualquer país sério julga questões constitucionais. Aqui no Brasil, ele está perdendo tempo avaliando a carta que alguém que está detido envia ou não envia. Isso para mim é coisa de juiz de primeira instância ou desembargador, e não para o Supremo Tribunal Federal — disse. — É uma disfuncionalidade do Brasil e uma perseguição política, duas coisas que precisam mudar e que uma coisa leva à outra —.
Ao longo da entrevista, Zema também disse que, ao impedir que alguém detido se comunique por cartas, a decisão quer restringir "o direito do ser humano de se comunicar com o filho, a mulher e a família".
— Temos que lembrar que, em 2018, quando Lula estava detido, ele se comunicou diversas vezes com relação ao então candidato dele, o Fernando Haddad. Então, parece que está havendo aí dois pesos e duas medidas. Eu tenho dito que esse Supremo tem sido mais um tribunal político do que jurídico — afirmou.
O ex-governador mineiro também voltou a criticar a Corte por manter "frutas podres" e pessoas que teriam se envolvido "até o pescoço" com o Banco Master, de Daniel Vorcaro, acusado de liderar um esquema de fraudes financeiras.
Além de Zema, Renan Santos, presidenciável pelo Missão, também comentou a decisão de Moraes e afirmou que, com a determinação de suspensão das visitas a Bolsonaro, o magistrado fortalece a pré-candidatura de Flávio.
— O Alexandre de Moraes, na bizarrice dele, se tornou uma espécie de cabo eleitoral do Flávio Bolsonaro (...) Fica sempre vitimizando os caras com o autoritarismo bizarro dele — diz Santos, que completa: — Às vezes eu acho que o Alexandre de Moraes, ele é o marqueteiro do Flávio, porque tudo que o Alexandre de Moraes quer e precisa é de um Bolsonaro para brigar — diz Santos.
Entenda o caso
Em um movimento lido como forma de reafirmar sua autoridade política durante uma crise entre ele e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, Flávio leu no último sábado uma carta escrita pelo pai durante um pronunciamento transmitido em seu canal no YouTube. No documento, o ex-presidente afirmou que o momento é de apoio ao senador e o nomeou como seu "porta-voz".
O episódio foi visto por Moraes como uma tentativa de burlar a proibição da manifestação do ex-mandatário pelas redes sociais, medida estabelecida por ele no momento em que autorizou a prisão domiciliar de Bolsonaro.
Além de suspender por 90 dias o direito de visita do senador ao pai, Moraes também determinou que a defesa de Bolsonaro, em 48 horas, se ele tinha conhecimento de que a carta escrita seria divulgada nas redes sociais do filho. A decisão também encaminha o caso ao procurador-geral eleitoral para apuração de eventual propaganda eleitoral antecipada.
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