Poder e Governo
Transparência Internacional critica gasto de R$ 345 mil do governo Lula para trazer ex-primeira-dama condenada do Peru
Condenada por corrupção, Nadine Heredia recebeu asilo diplomático do governo brasileiro e foi trazida ao país em avião da Força Aérea Brasileira
A Transparência Internacional criticou o uso da Força Aérea Brasileira (FAB) para transportar Nadine Heredia, ex-primeira-dama do Peru condenada por corrupção, ao Brasil. A entidade afirmou que a FAB "se prestou ao papel de piloto de fuga". A manifestação ocorreu após o deputado federal Marcel Van Hattem (Novo-RS) obter, por meio de requerimento de informação, dados que revelam o gasto de R$ 345 mil do governo brasileiro com a operação de asilo diplomático, classificada pela organização como "um dos episódios mais infames da história latino-americana".
Segundo informações do Ministério das Relações Exteriores, Nadine Heredia e seu marido, o ex-presidente Ollanta Humala, foram condenados por lavagem de dinheiro, em um caso envolvendo o recebimento de caixa 2 do regime venezuelano e da empreiteira Odebrecht (atualmente Novonor) durante as campanhas presidenciais de 2006 e 2011 no Peru.
"FAB se prestando ao papel de piloto de fuga da primeira-dama peruana condenada por corrupção, a mando do próprio chanceler Mauro Vieira e do presidente Lula, será lembrado como um dos episódios mais infames da história latino-americana. Desonra que o povo brasileiro não merecia", publicou a Transparência Internacional em suas redes sociais.
De acordo com a FAB, a viagem custou aproximadamente R$ 318 mil em despesas logísticas, R$ 7,5 mil em diárias para os tripulantes e R$ 19 mil em taxas aeroportuárias. A instituição informou ainda que não houve estimativa prévia dos valores e que a solicitação partiu do Ministério das Relações Exteriores.
O deputado Marcel Van Hattem também se manifestou nas redes sociais: "Surreal o apoio de Lula a criminosos internacionais com o nosso dinheiro".
Relembre o caso
O Ministério Público do Peru acusou Ollanta Humala de lavagem de ativos por ocultar o recebimento de US$ 3 milhões da Odebrecht para a campanha de 2011, que o levou à Presidência. Nadine Heredia, cofundadora do Partido Nacionalista, também foi acusada. O casal chegou a ser preso preventivamente em 2018 por nove meses, mas obteve habeas corpus do Tribunal Constitucional peruano para responder ao processo em liberdade.
Após a concessão do asilo diplomático a Heredia, o Ministério das Relações Exteriores do Peru informou, em nota, que a Embaixada do Brasil comunicou oficialmente a decisão, amparada pela Convenção sobre Asilo Diplomático de 1954, beneficiando também o filho menor do casal, Samir Mallko Ollanta Humala Heredia.
O ministro Mauro Vieira declarou, em entrevista à GloboNews, que o governo peruano, ao ser notificado do pedido de asilo, concedeu imediatamente o salvo-conduto, demonstrando concordância com a medida. Vieira também ressaltou que Nadine Heredia havia passado recentemente por uma cirurgia de coluna vertebral, o que reforçou a decisão humanitária.
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