Internacional
Riquezas naturais devem ser 'bênção para todos', diz Papa
Leão XIV celebrou missa para 100 mil pessoas na Guiné Equatorial
O papa Leão XIV afirmou nesta quarta-feira (22) que as riquezas naturais devem se tornar uma "bênção para todos", em mais um apelo na África em prol de uma distribuição igualitária dos recursos de um país.
A declaração foi dada durante uma missa para 100 mil fiéis na Basílica da Imaculada Conceição, em Mongomo, na Guiné Equatorial, país de cerca de 2 milhões de habitantes e com população majoritariamente católica. O público da celebração inclui peregrinos dentro da igreja e nas áreas circundantes.
"O Criador vos dotou de tantas riquezas naturais: exorto-vos a cooperar para que sejam uma bênção para todos. Que o Senhor vos ajude a tornar-vos cada vez mais uma sociedade em que cada pessoa, segundo as suas diferentes responsabilidades, trabalhe para servir o bem comum e não interesses particulares, superando as desigualdades injustas entre os privilegiados e os desfavorecidos", afirmou o pontífice americano em sua homilia.
A Guiné Equatorial conta com grandes reservas de petróleo, produto destinado sobretudo à exportação, mas tem mais da metade da população abaixo da linha da pobreza. A nação é governada há quase 47 anos pelo presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, que assistiu à missa em Mongomo e é acusado de violações de direitos humanos.
Na homilia, o Papa também destacou a existência de uma "grande fome de futuro, esperança, justiça, paz e fraternidade".
"O futuro depende das suas escolhas; está confiado ao seu senso de responsabilidade e ao compromisso compartilhado em salvaguardar a vida e a dignidade de cada pessoa", salientou Leão XIV.
O pontífice também alertou para as "condições preocupantes" enfrentadas por detentos nas prisões da Guiné Equatorial, pouco antes de visitar a penitenciária de Bata, conhecida pela superlotação e pelos relatos de maus-tratos contra prisioneiros.
"Que os espaços de liberdade cresçam, que a dignidade da pessoa humana seja sempre protegida: penso nos mais pobres, nas famílias em dificuldade; penso nos prisioneiros, muitas vezes forçados a viver em condições higiênicas e sanitárias preocupantes", disse.
Leão XIV fica no país até esta quinta-feira (23), quando encerrará seu primeiro tour pela África, que também incluiu Argélia, Camarões e Angola.
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