Internacional
Guerras ignoram direito e buscam 'colonizar petróleo', diz Papa
Leão XIV chegou à Guiné Equatorial e, citando Francisco, criticou 'economia que mata'
O papa Leão XIV desembarcou nesta terça-feira (21) em Malabo, capital da Guiné Equatorial, última etapa de seu giro pela África, e denunciou a "proliferação" de conflitos armados que ignoram o direito internacional e são motivados pelo desejo de "colonizar" depósitos de petróleo.
Em seu discurso para as autoridades locais, o líder da Igreja Católica alertou que a "rápida evolução tecnológica acelerou uma especulação conectada à demanda por matérias-primas, que parece ignorar necessidades fundamentais, como a proteção da criação, os direitos das comunidades locais, a dignidade do trabalho e a proteção da saúde pública".
"A proliferação de conflitos armados tem entre seus principais motivos a colonização de depósitos de petróleo e minerais, sem levar em consideração o direito internacional e a autodeterminação dos povos", disse Leão XIV.
O Papa não citou nenhuma guerra em específico, mas a declaração chega na esteira do conflito deflagrado por Estados Unidos e Israel contra o Irã, que provocou um choque global nos preços do petróleo e motivou ataques do presidente Donald Trump contra o pontífice.
O mandatário definiu Robert Prevost, primeiro papa dos EUA na história, como "fraco" por condenar a guerra no Oriente Médio, porém Leão XIV respondeu no último fim de semana que não tinha "interesse" em "debater com Trump".
Em seu discurso na chegada à Guiné Equatorial, o pontífice também citou seu antecessor, Francisco, cuja morte completa um ano nesta terça-feira.
"Faço coro ao apelo do papa Francisco, que deixou este mundo exatamente um ano atrás: 'Hoje devemos dizer não a uma economia de exclusão e desigualdade. Essa economia mata'", afirmou.
Além disso, Leão XIV alertou que o mundo está "ferido pela prepotência, enquanto os povos têm fome e sede de justiça", e destacou que é preciso "acreditar na paz e ousar seguir políticas contracorrente, com o bem comum no centro".
"O santo nome de Deus não pode ser profanado pelo desejo de dominação, pela arrogância e pela discriminação; acima de tudo, jamais deve ser invocado para justificar escolhas e ações de morte", salientou.
Antes do discurso, o Papa teve um encontro com o presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, chefe de Estado mais longevo do mundo sem ser um monarca. Obiang é acusado de autoritarismo e de violações dos direitos humanos e comanda o país africano, um dos mais pobres do planeta, há quase 47 anos.
Leão XIV é o segundo pontífice a visitar a Guiné Equatorial, juntando-se a São João Paulo II, que esteve no país em 1982. Com cerca de 2 milhões de habitantes, essa nação da África Subsaariana tem população 80% católica, legado da colonização espanhola, e é rica em petróleo.
O Papa fica na Guiné Equatorial até quinta-feira (23), quando retorna ao Vaticano. Ele também já passou por Argélia, Camarões e Angola em seu tour pela África.
Mais lidas
-
1MILITAR
Submarino Humaitá começa primeiro deslocamento internacional apesar das tensões diplomáticas entre Argentina e Brasil
-
2ARQUEOLOGIA
Estátua de 2,4 mil anos é encontrada sob pavimento romano na Turquia
-
3POLÍTICA
Cooperação técnico-militar histórica: Rússia reforça laços com a Marinha do Brasil no Rio
-
4RESPONSABILIDADE FISCAL
18 prefeituras estouram teto da folha; Rio Largo e Palmeira são as maiores cidades da lista
-
5ECONOMIA
6 estratégias para humanizar a gestão e acelerar os resultados de vendas