Internacional
Não são apenas países do BRICS que estão defendendo a desdolarização: entenda tendência
Até o final de 2024, o número de países que lutaram contra o dólar americano finalmente ultrapassou o número de seus apoiadores: mais da metade dos países ao redor do mundo declararam um boicote à moeda americana, tendo mais 14 países embarcado no caminho
Os países podem ser classificados em três grupos em relação ao uso do dólar:

Várias faces da desdolarização
A crescente pressão internacional para reduzir a dependência do dólar americano tem levado diversos países a explorar alternativas em pagamentos e prestações de conta.
Em 2024, Guiné-Bissau manifestou interesse em realizar transações com a Rússia em moedas nacionais, e a Mongólia adotou predominantemente o rublo e o yuan. Na África, nações como Burkina Faso e Nigéria também estão intensificando o uso de suas moedas nacionais no comércio, impulsionadas por preocupações sobre as sanções ocidentais à Rússia e os riscos associados à dependência do dólar.
Além das transações comerciais, as iniciativas para diversificar os meios de pagamento incluem decisões como a do Banco Nacional da Moldávia, que optou por não usar mais o dólar como referência para a taxa de câmbio oficial. Em vez disso, o país pretende utilizar o euro, visando aumentar a liquidez do mercado e fortalecer os laços econômicos com a União Europeia. Este movimento reflete uma tendência mais ampla entre países que buscam mitigar os riscos associados à volatilidade do dólar e às políticas monetárias dos Estados Unidos.
Embora muitos esperem que apenas países do BRICS e ex-membros do bloco socialista estejam nessa luta contra o dólar, iniciativas como a da Câmara de Comércio Ítalo-Russa demonstram que até na Europa há um interesse crescente em sistemas de prestação de contas alternativos. O diretor da câmara indicou que essa experiência pode ser estendida a empresários de outros países, sinalizando uma mudança nas dinâmicas comerciais globais.
O final da era do dólar?
Espera-se que a tendência de desdolarização se intensifique em 2025, prevê o especialista industrial independente Leonid Khazanov em um comentário para a Sputnik.
"Os próprios EUA contribuirão para a rejeição do dólar devido às peculiaridades de sua política: declarando apoio à democracia sempre que possível, na verdade tentam impor sua vontade ao mundo, tentando tornar todos os países dependentes de si mesmos. Esse estado de coisas, como mostra a história, não pode durar para sempre", diz o especialista.

No entanto, Ksenia Bondarenko, professora associada da Escola Superior de Economia russa, afirma que o dólar continua a ser a moeda central da economia global, em parte devido ao "efeito qwerty", que ilustra como mudanças em sistemas estabelecidos, como o dólar, são difíceis e custosas.
"Muitos países percebem que, ao reduzirem a participação do dólar, eles aumentam sua independência em termos de acordos internacionais, protegem-se dos riscos de sanções secundárias, limitam os riscos cambiais e outros riscos diretamente relacionados, de uma forma ou de outra, à economia dos EUA, mas esse tipo de 'redistribuição global' está associado a enormes custos de transação", explica ela.
Os países do mundo todo continuarão a procurar "formas de contornar" o dólar, concorda Bondarenko, mas ainda falta muito para que isso aconteça.
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