Internacional
Repórteres Sem Fronteiras apresenta denúncia ao TPI sobre jornalistas mortos em Gaza
ONG pediu a procuradores que investiguem as mortes de ao menos nove repórteres palestinos
A ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) anunciou, nesta segunda-feira, que apresentou uma denúncia ao Tribunal Penal Internacional (TPI) sobre os jornalistas palestinos mortos ou feridos na guerra na Faixa de Gaza. A ONG solicitou aos procuradores do tribunal que investigassem supostos crimes de guerra cometidos pelo Exército israelense contra pelo menos nove repórteres palestinos.
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Em janeiro, o TPI indicou que estava investigando possíveis crimes contra jornalistas desde a eclosão da guerra entre Israel e o grupo islamista palestino Hamas em Gaza no dia 7 de outubro, na qual morreram mais de 100 comunicadores.
RSF garantiu que possui "motivos razoáveis para acreditar que alguns destes jornalistas foram assassinados deliberadamente e que os demais foram vítimas de ataques deliberados das Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) contra civis".
Esta denúncia — a terceira apresentada pela ONG — diz respeito a oito jornalistas palestinos mortos entre 20 de dezembro de 2023 e 20 de maio de 2024, assim como outro que ficou ferido.
"Todos os jornalistas afetados foram mortos (ou feridos) no exercício da sua profissão", afirmou a RSF em comunicado.
Antoine Bernard, diretor de defesa e assistência da ONG, enfatizou que "aqueles que matam jornalistas estão atacando o direito do público à informação, que é ainda mais essencial em tempos de conflito".
Na semana passada, o procurador do TPI, Karim Khan, pediu ao tribunal que emitisse mandados de prisão contra líderes israelenses e do Hamas, incluindo o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, por supostos crimes de guerra e contra a humanidade.
Israel negou categoricamente as acusações e o ministro de Defesa, Yoav Gallant, considerou como "desprezível" o estabelecimento de um paralelo entre o Hamas e as autoridades israelenses.
Período mais letal para os jornalistas
O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), com sede em Nova York, afirmou que pelo menos 107 repórteres e trabalhadores dos meios de comunicação foram mortos durante a guerra em Gaza, o "período mais letal para jornalistas desde que o CPJ começou a recolher dados em 1992".
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A denúncia de RSF inclui o caso de dois comunicadores palestinos mortos em janeiro enquanto trabalhavam para a rede al-Jazeera. Hamza Wael Dahdouh e Mustafa Thuria, que também colaborava com vídeos para a Agence France-Presse e outras agências de notícias, morreram enquanto "estavam a caminho de realizar o seu trabalho" para o canal na Faixa de Gaza, informou a rede.
O Exército israelense declarou à AFP naquele momento que havia "abatido um terrorista que operava uma aeronave que representava uma ameaça às tropas" israelenses. Acrescentou ainda que tinha "conhecimento da informação de que durante o ataque, também foram atingidos outros dois suspeitos que se encontravam no mesmo veículo do terrorista". (Com AFP)
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