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Último debate entre Lula e Flávio começa com apresentação de propostas, mas termina com ofensas mútuas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participaram nesta sexta-feira (23) do último debate entre os candidatos à Presidência das eleições de 2026, na TV Globo, no Rio de Janeiro.
O segundo turno está marcado para este domingo (25), em uma disputa que permanece tecnicamente empatada.
Durante os quatro blocos do debate, temas como Reforma Tributária, investimentos em infraestrutura e exportação, inflação, endividamento, Inteligência Artificial, meio ambiente, relação com EUA e China, e saúde nortearam o debate.
Os primeiros blocos contaram com apresentação de propostas econômicas e regionais. Entretanto, os blocos finais, que tiveram tema livre, foram marcados por críticas e acusações mútuas.
O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à presidência, usou seu tempo no debate da Globo para criticar a Reforma Tributária, aprovada em 2023 e que ainda está em fase de transição.
A matéria trata da unificação de diferentes tributos em três: o CBS federal, IBS estadual e o imposto seletivo para produtos nocivos à saúde, como o cigarro.
Segundo Flávio, a reforma criará o maior imposto sobre valor adicionado (IVA), categoria de imposto à qual a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) pertencem.
Fato ou 'Fake'
Várias plataformas de jornalismo realizaram checagem das afirmações dos candidatos no debate. A própria Globo informou que uma equipe de mais de 30 jornalistas trabalhou em conjunto para dar agilidade ao processo.
Segundo as checagens, a afirmação de que o governo de seu pai, Jair Bolsonaro, recebeu em 2019 cerca de 14 mil obras inacabadas e deixou pouco mais de 8 mil obras inacabadas é verdadeira. Segundo o painel do Tribunal de Contas da União (TCU), em agosto de 2022, havia 8.674 obras paralisadas, de um total de 22.559 obras monitoradas. Isso significa que 38,5% delas estavam paralisadas.
Já o preço da picanha subiu 31,93% no governo Bolsonaro e 7,28% no governo Lula, de acordo com a checagem, desmentindo a afirmação de Bolsonaro de que o governo de seu adversário aumentou mais o preço da carne.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou o sucesso da política de valorização do salário mínimo instituída pelo PT. Segundo o presidente, se não fosse essa política, o salário mínimo atual seria de R$ 900 reais, frente aos R$ 1.621 atuais. A afirmação foi checada e é verdadeira. Considerando a correção da inflação acumulada, o valor do salário mínimo seria de R$ 852.
Confrontos
Em um momento de tensão, Flávio Bolsonaro disse que Lula tiraria o dinheiro da população com seus nove dedos. Lula afirmou que perdeu o dedo enquanto trabalhava ainda menor de idade em uma fábrica, no período noturno, e cobrou um pedido de desculpas de Flávio.
"Ele nunca trabalhou na vida, teve emprego falso dado pelo pai dele [...]. Eu era menor de idade e trabalhava à noite; agora, um granfino, que tem uma prática política muito duvidosa, não venha me chamar de nove dedos", disse ele. 'Não vou permitir que miliciano me chame de 9 dedos', respondeu.
"Não vou pedir que miliciano me chame de 9 dedos", disse Lula. "Ele não sabe o que é carteira de trabalho; o primeiro emprego dele foi falso, no gabinete do pai", afirmou Lula.
Lula ainda questionou o fato de Flávio ter chamado o Bolsa Família de 'Bolsa Farelo'. "Isso é falta de respeito com o povo pobre deste país", disse Lula.
Na área social, destacou o aumento do Bolsa Família durante o governo Bolsonaro e prometeu manter o benefício, afirmando que trabalhadores que conseguirem emprego não perderão automaticamente o auxílio. No final do penúltimo bloco, Lula destacou a ligação de Flávio com a milícia.
"Todo mundo assistiu ao discurso dele na Assembleia Legislativa defendendo miliciano, oferecendo condecoração para miliciano [...]. Todo mundo sabe quem você é, e essa bravata de que 'vai fazer, vai fazer' é bravata de quem não vai fazer nada."
Bastidores
Na plateia, aliados de Flávio levaram aos Estúdios Globo a ex-mulher de André Janones (Rede-MG), que tem uma medida protetiva contra o deputado e criador do canal de WhatsApp "Exército do Lula". O deputado federal eleito Marcelo Freixo (PT-RJ) chegou à emissora acompanhado da mãe de Ana Clara Gomes Machado, menina de 5 anos que morreu baleada por um cabo no Rio de Janeiro, que teve Flávio Bolsonaro como advogado de defesa.
No último domingo (18), Lula e Flávio participaram do debate promovido pela TV Bandeirantes. O programa foi marcado por acusações mútuas de corrupção e ataques envolvendo familiares.
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