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'O voto é uma arma que o brasileiro não sabe usar', afirma candidato a presidente Wilson Grassi
As eleições do próximo domingo (4) serão decisivas para o futuro do Brasil.
As eleições do próximo domingo (4) serão um censo para contar "quantos burros e quantos jumentos têm no Brasil", na opinião do candidato a presidente pelo partido Democrata, Wilson Grassi.
Em entrevista para a Sputnik Brasil nesta sexta-feira (2), ele equiparou o Brasil a uma empresa e o povo brasileiro ao gestor do Recursos Humanos (RH), em que os 12 candidatos a presidente representam aspirantes à vaga de CEO, mas apenas dois são considerados:
"Em vez de ele ler os 12 currículos, ele [povo] só lê os dois primeiros currículos. O voto errado é uma arma que condena a pessoa a ficar no corredor do SUS [Sistema Único de Saúde] sofrendo e morrendo sem conseguir fazer a cirurgia que ela tem que fazer. O voto mal usado é a arma que condena pessoas à ignorância, a viver numa casa sem banheiro. O brasileiro é armado no voto. E ele não sabe usar essa arma [...] 150 milhões de pessoas votam e não sabem nem o nome dos candidatos. Isso não é votação, é censo pra saber quantos burros e quantos jumentos tem no Brasil."
Ele descreveu o burro como alguém que não sabe que está errado, porque é burro. Já o jumento, classificou, é alguém que sabe que está errado, mas é teimoso e prefere insistir no erro.
"Aonde eu quero chegar? O brasileiro está prestes a fazer uma escolha que não vai levar o Brasil a lugar nenhum", argumentou.
Empresário e veterinário paulista, Grassi é o primeiro candidato próprio à presidência pelo Democrata, antigo Partido da Mulher Brasileira (PMB), que foi fundado em 2015. Já disputou cargos de vereador, deputado estadual e federal por São Paulo, pelos partidos PV e PRTB.
O candidato destacou que mesmo quem está bem financeiramente não pode estar satisfeito com a situação do país, com tanta desigualdade e pobreza:
"Você pode até pensar: 'Mas a minha vida está boa, ou eu quero que continue assim, então eu vou ficar com A, eu vou ficar com B'. Tá bom, mas você mora no meio de 50 milhões de pessoas pobres. Você dorme tranquilo numa casa boa, sabendo que tem um monte de criança aí que não tem nem banheiro para usar? Não é possível", criticou.
R$ 1 milhão por mês para cada parlamentar e fim das emendas
O candidato também propôs acabar com todas as emendas e penduricalhos para deputados e senadores e, em troca, os parlamentares ganhariam R$ 1 milhão por mês de salário.
Segundo ele, o Brasil hoje é refém do Congresso e o jeito é "negociar com o sequestrador". Para ele, com um bom salário fixo sem chances de barganhar novos valores, o parlamentar votará de forma mais consciente e responsável.
"Hoje os deputados não votam por ideologia, eles votam por dinheirologia, e a dinheirologia hoje é a emenda, é a emenda PIX, é a emenda secreta, são os cargos públicos, é assim que o governo compra o apoio. Então vamos tirar essa hipocrisia, vamos ver quanto que esse cidadão ganha, dar logo esse dinheiro para ele parar de atrapalhar, para a gente poder governar para o brasileiro", argumentou.
O empresário observou que deputados e senadores não querem o mal do Brasil, mas sim resolver o problema deles primeiro: "Então vamos garantir isso. Tenho certeza que eles vão trabalhar para o bem do povo e vai sair muito mais barato", asseverou.
Imposto Único Federal
Na área econômica, a proposta principal da campanha de Grassi é a criação do Imposto Único Federal (IUF) para substituir nove impostos federais que somam 35% sobre a produção, o faturamento e a folha de pagamento, com pouco retorno para a população, afirmou:
"E a economia fica travada, o empresário não consegue ampliar os seus negócios pagando tantos impostos assim. A nossa proposta é muito simples, diminuir muito os impostos e fazer imposto único, que a pessoa vai pagar 2% quando ela ganha um dinheiro e 2% quando ela gasta esse dinheiro", explicou.
O plano de campanha tem estudo com as contas sobre a viabilidade do imposto sem perda de arrecadação.
Fim da CLT e da Justiça do trabalho
Com o fim dos encargos altos e dos impostos sobre a folha de pagamento, ele garantiu que será possível mais que duplicar o salário mínimo e, com isso, deixar o trabalhador em pé de igualdade na hora de negociar com o patronato, sem necessidade de mediadores.
"Já pensou que legal se as pessoas tiveram 13º todo mês? Mas ninguém é obrigado a aceitar. Sou um libertário, eu não quero obrigar nada para ninguém. Se a empresa faz uma proposta alternativa, se essa proposta é boa para o governo e chega no trabalhador, faz sentido para ele, esses três topam, o outro que não topou continua com os direitos todos que ele prefere."
Com essa nova realidade, será possível, segundo ele, extinguir a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e a Justiça do Trabalho:
"As pessoas têm que ser respeitadas como adultos, se dois adultos querem fazer um combinado entre eles, o governo não tem que se meter [...] quando a gente corrigir todo o ecossistema econômico brasileiro, que é totalmente atrasado e feito para dar errado, o trabalhador vai ter muito mais poder do que o empregador, porque vai ter tanto emprego e tanto emprego bom, que vai custar muito você conseguir contratar alguém", avaliou o candidato.
Bolsa Família de R$ 2 mil por mês, mas sem direito a voto
A proposta de aumentar o valor do Bolsa Família para R$ 2 mil mensais também faz parte da proposta do programa do candidato, com a condição de que o beneficiário do programa perca o direito ao voto.
"O governo dá migalhas para as pessoas. R$ 400, R $ 500 é migalha [...] Proponho R$ 2 mil, mas o salário das pessoas têm que ser muito maior, R$ 4 mil, R$ 5 mil [...] brasileiro já não gosta muito de trabalhar, ninguém mais vai querer trabalhar, então a gente tem que subir o Bolsa Família, mas subir muito mais o salário", justificou. "Mas quem ganha Bolsa Família não pode votar [...] porque se aumento o Bolsa Família para R$ 2 mil, todo mundo vai ficar feliz e votar em mim a vida inteira, mas está errado, isso é comprar voto."
A proposta, acrescentou o candidato, também prevê que o valor do auxílio diminua à medida que o beneficiário tenha mais filhos:
"O Bolsa Família não pode ser estímulo para a pessoa ficar tendo filho [...] tem que ter planejamento familiar. Se você não está conseguindo cuidar nem de si mesmo, você não pode ficar pondo filhos no mundo", ressaltou.
Ele admitiu que já foi contra o Bolsa Família, mas que com o avanço da inteligência artificial, a tendência é que uma enorme parcela da população fique desempregada, e programas de redistribuição de renda serão mecanismos financeiros fundamentais para subsidiar milhões de pessoas.
"Então, a gente tem que encontrar uma fórmula agora de fazer a economia girar rápido de um lado, ganhar muito dinheiro com isso, ter muito dinheiro recolhido dos impostos, para desse lado aqui, nós vamos ter que realmente subsidiar milhões e milhões e milhões de desempregados, porque a IA vai fazer o serviço de quase todo mundo."
Meu Botox Minha Vida
Na área da saúde, a proposta mais inédita do candidato é a aplicação de toxina botulínica em mulheres de baixa renda pelo Sistema Único de Saúde, popularmente conhecido como botox. Segundo ele, o programa, que apelidou de Meu Botox Minha Vida, em analogia ao programa já existente de habitação, Minha Casa Minha Vida, é questão de saúde pública:
"Não é uma injeção para ruga, é uma injeção para autoestima elevada, significa saúde emocional e saúde emocional faz a mulher trabalhar melhor, ganhar mais. Ela se sente mais segura e mais confiante, faz ela terminar relações tóxicas, começar novas relações saudáveis ou ficar sozinha de uma forma mais positiva", opinou.
A medida pode, inclusive, colaborar, na opinião dele, para o combate à violência contra mulheres:
"A violência contra a mulher muitas vezes acontece dentro de casa e ela não acontece subitamente de uma hora para outra, ela vem dando sinais e vem se repetindo [...] não estou dizendo que o Meu Botox Minha Vida vai resolver todos os problemas de violência contra a mulher, mas com isso quero trazer a discussão para o ponto basilar dela, que é a questão da dependência financeira e emocional."
Educação
Na área da educação, Grassi defendeu que os investimentos priorizem cursos técnicos para garantir empregabilidade, principalmente na construção civil, na indústria automobilística e na indústria de tecnologia.
"Quero apostar mais em cursos técnicos do que em cursos universitários", sustentou.
Na educação de base, a proposta é incluir na grade curricular matérias que preparem os estudantes para a vida prática, como educação financeira e inteligência artificial:
"O brasileiro não sabe lidar com o dinheiro e a gente tem que começar a ensinar as crianças sobre isso. A gente tem que começar a ensinar as crianças sobre inteligência artificial, porque ou ela vai aprender a usar ou ela vai ficar aposentada."
Ele incluiu ainda o ensino sobre direito dos animais, pois, justificou, "uma pessoa que respeita os animais, respeita as pessoas. Uma pessoa que desrespeita, a pessoa que chuta cachorro é a mesma pessoa que bate na mulher e que agride um outro homem que considere mais fraco", fundamentou.
Habitação
Se eleito, Grassi afirmou que seu governo vai gastar muito menos do que arrecada, o que vai possibilitar o aumento em vários investimentos nas diferentes áreas, dentre elas a da habitação. E um desses investimentos seria para garantir que as prestações da casa própria tenham mesmo valor do aluguel:
"Se a pessoa está pagando um aluguel há três anos, sem atrasar nem um dia, isso já tem que ser a prova de que ela merece um financiamento para comprar a casa dela. E se ela já está em dia há três anos, na hora que ela tiver a casa dela, ela vai continuar em dia."
Segurança
Ao se classificar um pacifista, o candidato do Democrata à Presidência questionou o alto grau de encarceramento no Brasil, que, na sua opinião, produz mais criminosos e onera a União:
"Em vez de ficar em uma prisão custando R$8 mil reais por mês e se transformando num criminoso perigoso e traumatizado, não é melhor a gente tirar essa pessoa da cadeia, colocar essa pessoa numa escola de cidadania, ensinar a cidadania e preparar essa pessoa para o emprego técnico?", sugeriu. "A partir do momento que a gente tiver muito menos gente presa, vai ser mais fácil a gente administrar melhor os presos violentos."
Ele ressaltou que seu governo pretende fazer plebiscitos para que a população possa decidir os rumos de algumas políticas:
"O Brasil tem um milhão de presos, e metade é porque carregou um cigarro para um lado ou para o outro, a pessoa que comprou o cigarro está solta, que pagou o cigarro está solta e a pessoa que carregou o cigarro vai ficar dez anos presa na cadeia. E a cadeia é uma verdadeira fábrica de criminosos violentos [...] Então, acho que a gente tem que fazer um plebiscito e perguntar para a população: 'Um preso não violento, que nunca mostrou uma faca para alguém, que nunca pôs um revólver na cabeça de alguém, mas que está preso porque carregou um cigarro, um pacotinho para baixo e para cima, será que essa pessoa não deveria ser solta?'.", argumentou.
O candidato declarou ainda que sua missão não é ganhar a eleição, mas servir como uma espécie de profeta para que suas ideias sejam aproveitadas no futuro:
"Se eu ganhar essa eleição, minha vida piora, se eu perder, a minha vida se mantém. A minha vida é maravilhosa, graças a Deus, eu comecei pobre e fiquei rico agora [...] eu não preciso mentir, sou praticamente um profeta nessa eleição, venho aqui para falar o que tem que ser feito e talvez não seja feito agora, mas talvez daqui a 30, 40, 50 anos isso aconteça. Aí os caras vão lembrar que lá em 2026 tinha um veterinário, a gente achava que era louco, mas ele não era louco, tudo que ele falou aconteceu, ele só estava à frente do tempo dele", completou.
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