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Deputado pede investigação de Toffoli por suposta participação em resort no PR

Sanderson (PL-RS) aciona PGR e CNJ para apurar possível envolvimento do ministro do STF no resort Tayayá, em meio a polêmicas sobre o Caso Master.

22/01/2026
Deputado pede investigação de Toffoli por suposta participação em resort no PR
Deputado pede apuração sobre suposta ligação de Toffoli com resort Tayayá, em meio a polêmica do Caso Master. - Foto: © Agência Brasil / Fabio Rodrigues Pozzebom

O deputado federal Sanderson (PL-RS) solicitou nesta quinta-feira (22) à Procuradoria-Geral da República (PGR) e ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a abertura de investigações contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, por suposta participação na aquisição do resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro, no Paraná.

Na representação, Sanderson aponta indícios de "participação econômica indireta ou sociedade de fato oculta" de Toffoli no empreendimento, o que poderia configurar violação da Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman).

Pela legislação, ministros do STF são proibidos de "exercer o comércio ou participar de sociedade comercial, inclusive de economia mista, exceto como acionista ou quotista".

Embora o CNJ não tenha competência para investigar ministros do Supremo, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pode decidir pela abertura de inquérito. Mais cedo, Gonet arquivou pedido de deputados para que Toffoli fosse afastado da relatoria do Caso Master.

O episódio envolve investigação de possíveis fraudes no Banco Master, liquidado pelo Banco Central em 2023 e que pertencia a Daniel Vorcaro.

Reportagens da Folha de S.Paulo e do Estado de S. Paulo revelaram que o cunhado de Vorcaro, o pastor e empresário Fabiano Zettel, adquiriu em 2021 parte da participação de dois irmãos de Toffoli no resort Tayayá, por R$ 6,6 milhões. Segundo os veículos, a empresa dos irmãos de Toffoli, Maridt, passou a ter o fundo vinculado a Zettel como principal sócio.

De acordo com o jornal O Globo, Toffoli teria passado 128 dias no resort em 2025, com direito à segurança do STF custeada pelo erário. Já o portal Metrópoles noticiou que funcionários do Tayayá tratam Toffoli como proprietário do local.

O pedido de suspeição do ministro no Caso Master foi apresentado pelos deputados federais Adriana Ventura (Novo-SP), Carlos Jordy (PL-RJ) e Caroline de Toni (PL-SC), citando uma viagem a Lima, no Peru, para assistir a um jogo da Libertadores, em novembro de 2025. Nessa ocasião, Toffoli utilizou aeronave ao lado do advogado Augusto Arruda Botelho, defensor de Luiz Antônio Bull, diretor de compliance do Banco Master e investigado no caso.

Nos últimos dias, Toffoli reduziu o prazo para novos depoimentos e escolheu pessoalmente os peritos que analisarão as provas da fase mais recente da operação. A Polícia Federal reagiu, solicitando apoio do governo para contestar a decisão, enquanto a associação de delegados classificou as medidas do ministro como afronta às prerrogativas da corporação.

Caso Master

Em novembro de 2025, Daniel Vorcaro, então proprietário do Banco Master, foi preso pela Polícia Federal durante a Operação Compliance Zero, acusado de emissão de títulos de crédito falsos.

As investigações da PF tiveram início em 2024, após solicitação do Ministério Público Federal para apurar a possível fabricação de carteiras de crédito insubsistentes por uma instituição financeira. Os títulos teriam sido vendidos a outro banco e, "após fiscalização do Banco Central, substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada", informou a PF.

A 10ª Vara Federal de Brasília determinou o bloqueio e a arrecadação de bens do BRB, do Banco Master e de diversos executivos investigados na operação Compliance Zero.


Com informações de Sputinik Brasil