Geral
Menor risco geopolítico faz dólar cair ao menor valor desde novembro
Acordos internacionais e discurso moderado de Trump fortalecem o real, que recupera patamar anterior à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro.
O arrefecimento das tensões geopolíticas, impulsionado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao destacar nesta tarde que um acordo envolvendo a Groenlândia está em negociação, contribuiu para a queda global do dólar. A moeda americana recuou para R$ 5,28, atingindo o menor valor intradia desde 14 de novembro de 2025 e o menor fechamento desde 11 de novembro. Com isso, o real voltou ao patamar anterior ao anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, em 5 de dezembro.
O dólar encerrou o dia em baixa de 0,68%, cotado a R$ 5,2845 no mercado à vista, acumulando queda de 1,64% na semana e de 3,73% no ano de 2026.
Desde quarta-feira, Trump adotou um tom mais conciliador, afirmando que não pretende usar força para obter território na Groenlândia e suspendendo tarifas previstas contra países europeus. Além disso, operadores destacam que o real permanece atraente para operações de carry trade, já que o início do ciclo de flexibilização monetária no Brasil é esperado apenas para março. Também há percepção de que o cenário eleitoral de 2026 segue indefinido.
Em relatório, o Morgan Stanley apontou que "o mercado parece estar incorporando uma alternância de poder nas eleições deste ano, marcadas para outubro". O banco observa que as ações ligadas à expectativa de mudança de governo subiram 59% em dólar desde janeiro de 2025, enquanto papéis associados à continuidade avançaram 47% no mesmo período.
Apesar dos fatores internos, o principal motor do câmbio nesta quinta-feira (22) foi o ambiente externo. "Com certeza é um movimento global, pois o DXY está caindo e outras moedas emergentes também estão subindo", avalia Guilherme Souza, economista da Ativa Investimentos, ressaltando que o discurso mais conciliador de Trump é o principal fator.
Trump declarou que a estrutura do acordo da Groenlândia "está sendo trabalhada" e que "será incrível para os EUA". No entanto, Kaja Kallas, chefe de política externa da União Europeia (UE), afirmou nesta quinta-feira que ainda não teve acesso ao acordo.
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, destaca ainda o forte fluxo estrangeiro direcionado a ativos brasileiros, o que pressiona o dólar para baixo. "O Brasil permanece como uma das moedas com maior carry entre os emergentes, fator que, aliado a um ambiente global favorável ao risco, segue impulsionando a valorização do real frente ao dólar neste ano", afirma.
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