Geral

Taxas de juros recuam com ambiente global mais favorável e cenário político

Alívio geopolítico internacional e pesquisa eleitoral no Brasil impulsionam queda dos juros futuros na B3

22/01/2026
Taxas de juros recuam com ambiente global mais favorável e cenário político
- Foto: Reprodução / Agência Brasil

Os juros futuros negociados na B3 recuaram nesta quinta-feira, 22, em meio a um ambiente global mais positivo para mercados emergentes, impulsionado principalmente pela distensão do conflito geopolítico entre Estados Unidos e Europa.

Apesar de não haver novidades desde quarta-feira sobre o acordo previsto entre o governo Trump e aliados europeus em relação à Groenlândia, o cenário internacional mais otimista favoreceu os ativos brasileiros em geral.

A curva a termo também refletiu esse movimento, embora de forma mais moderada em comparação ao Ibovespa. No Brasil, a divulgação de uma pesquisa eleitoral nesta quinta contribuiu para a queda dos DIs, ainda que o principal vetor tenha vindo do exterior.

No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caiu de 13,744% para 13,68%. O DI para janeiro de 2029 recuou de 13,14% para 13,045%. Já o DI para janeiro de 2031 passou de 13,468% para 13,385%.

Segundo Marcelo Fonseca, economista-chefe da CVPAR Quadrante, "há um pano de fundo estrutural mais benigno para mercados emergentes, com uma conjuntura de força da economia global e expectativa de queda de juros nos EUA. Essa combinação favorece fluxos de capitais para emergentes, e o Brasil tem sido beneficiado", afirmou, destacando o impacto das declarações de Donald Trump na quarta-feira, que reduziram o risco percebido.

O presidente americano afirmou no Fórum Econômico Mundial, em Davos, que não pretende usar força militar para controlar a Groenlândia. No fim do dia, anunciou estar preparado para um acordo com países europeus acerca da ilha dinamarquesa e, por isso, não imporá tarifas previstas para fevereiro.

"Com Trump retirando a ameaça de uma nova rodada de guerra tarifária, o ambiente estrutural favorável voltou a prevalecer nos mercados nesta quinta-feira", avalia Fonseca.

Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset, aponta que o bom desempenho dos DIs, aliado à valorização do câmbio, reforça a expectativa de corte da Selic em março pelo Copom. "O otimismo com emergentes e o Brasil ajuda a apreciação do real e melhora as perspectivas", diz. Na tarde desta quinta, a curva indicava 23% de chance de manutenção da Selic na reunião de março, ante 31% na sexta anterior, destaca Costa.

No cenário doméstico, a agenda econômica trouxe apenas a divulgação da arrecadação de impostos e contribuições federais, que totalizou R$ 292,724 bilhões em dezembro, levemente acima da mediana das projeções (R$ 290,1 bilhões). O dado, no entanto, teve "efeito zero" sobre a curva de juros, segundo um economista de uma grande tesouraria.

Por outro lado, a pesquisa Apex/Futura divulgada nesta quinta mostrou Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à frente nas intenções de voto para o primeiro turno da eleição presidencial. Em cenário com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), Lula lidera com 37%, seguido por Flávio (33,3%) e Tarcísio (10,5%).

No segundo turno, a pesquisa indica vitória de Flávio Bolsonaro sobre Lula, com 48,1% contra 41,9%. O levantamento, com margem de erro de 2,2 pontos, ouviu 2.000 pessoas. "A pesquisa ajudou, mas o cenário macro internacional ditou o ritmo dos juros", conclui Tiago Hansen, diretor de gestão e economista da Alphawave Capital.