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'Não vejo como aceitar', diz Amorim sobre convite ao Conselho da Paz criado por Trump
Assessor de Lula critica proposta dos EUA para novo órgão de segurança global, que exclui ONU e não menciona Gaza.
Celso Amorim, assessor internacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou ser contrário à participação do Brasil no Conselho de Paz, iniciativa formalizada nesta quinta-feira (22) pelo presidente norte-americano Donald Trump.
Em entrevista ao jornal O Globo, Amorim destacou que o documento de criação do Conselho sequer menciona a Faixa de Gaza, podendo, assim, ser aplicado a qualquer conflito de interesse dos Estados Unidos. "Na prática, a Carta cria um novo Conselho de Segurança, com presidência permanente dos EUA", explicou.
"Representa, na prática, uma revogação da ONU, sobretudo na área de paz e segurança. Essa parte, com certeza, eu não vejo como aceitar. Não dá para considerar uma reforma da ONU feita por um país."
Segundo Amorim, não há margem para discutir os termos de governança do novo órgão: "É um contrato de adesão", afirmou, ressaltando que Trump não aceita emendas. "Isso torna essa parte difícil."
O anúncio do Conselho de Paz foi feito por Trump durante sua participação no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. A Casa Branca divulgou o logotipo do novo órgão, semelhante ao da ONU, mas com os Estados Unidos em destaque no centro.
Cerca de 60 países foram convidados a integrar o Conselho por um mandato de três anos. Para estender a participação, os países deverão pagar US$ 1 bilhão no primeiro ano de vigência da Carta, conforme informações da Bloomberg News.
Além do presidente Lula, receberam convite líderes como Narendra Modi (Índia), Vladimir Putin (Rússia) e Recep Erdogan (Turquia) — este último, o único a aceitar até o momento. O secretário-geral da ONU, António Guterres, não foi convidado.
Como primeira ação, o Conselho atuará supervisionando o processo de paz na Faixa de Gaza. Sua estrutura inclui um Conselho Executivo formado por membros fundadores, um órgão específico para Gaza, com autoridades regionais, e uma Força Internacional de Estabilização, responsável pelas operações de segurança.
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